Maduro diz que está preparado para guerra contra Bolsonaro e Trump

"Ele não conhece a história da América Latina nem da Venezuela", diz Maduro sobre Bolsonaro (Foto: YURI CORTEZ/AFP/Getty Images)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Maduro afirma que é uma “estupidez” dizer que a Venezuela vive uma ditadura

  • “Nós na Venezuela temos uma oposição pior do que o Bolsonaro”, declara

Na última semana, a OEA (Organização dos Estados Americanos) ameaçou reativar o Tiar (Tratado Interamericano de Ação Recíproca), que pode permitir uma intervenção militar na Venezuela. Em entrevista à Folha de S. Paulo, Nicolás Maduro diz que não quer falar em guerra, mas afirma estar preparado para defender o país:

“Todas essas ameaças do governo de Donald Trump, de Bolsonaro, de invadir a Venezuela, o que têm feito é unir ideologicamente e institucionalmente a Força Armada Nacional Bolivariana.”

O presidente da Venezuela também criticou os governos do Brasil e dos Estados Unidos. Sobre Bolsonaro, declarou: “é um extremista ideológico”.

“Recentemente ele declarou sua admiração pelo [ex] ditador [chileno] Augusto Pinochet, que é uma espécie de Hitler sul-americano. E em sua mente está apenas a agressão contra a Venezuela. Ele não é um político. Lamentavelmente, à frente de muitos governos da América do Sul não há políticos com "p" maiúsculo, com doutrina, que saibam respeitar a diversidade.”

Perguntado sobre as declarações de Bolsonaro que a Venezuela vive uma ditadura, Maduro diz que é uma estupidez o presidente brasileiro defender o chileno Pinochet e acusá-lo de ser um ditador: “Ele não conhece a história da América Latina nem da Venezuela.”

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Ele também chamou de “mentiras” as acusações de prisões arbitrárias, torturas e degradação econômica na Venezuela. E acusou a oposição:

“Nós na Venezuela temos uma oposição pior do que o Bolsonaro. À direita do Bolsonaro. Que tem o objetivo de derrubar inconstitucionalmente a revolução.”

Ele também afirmou que o opositor Leopoldo López foi preso e impedido de concorrer às eleições por ser acusado do assassinato de 40 pessoas [nas manifestações de 2014], e por uma tentativa de golpe de Estado. Disse que a prisão de López não pode ser comparada ao do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT):

“É incomparável. É um crime moral comparar um homem como Lula da Silva, e seu tamanho na história do Brasil e da América, e a perseguição brutal [que ele sofreu], já demonstrada com provas, com esses opositores de extrema direita financiados pelos EUA na Venezuela. É um despropósito.”

Ao final da entrevista, Maduro concluiu: “Eu diria ao povo do Brasil que a Venezuela necessita mais solidariedade. Mais apoio.”