Maduro protesta contra pedido dos EUA à Argentina para apreender avião venezuelano

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, protestou nesta quarta-feira contra o pedido dos Estados Unidos à Argentina para apreender um Boeing 747 venezuelano retido em Buenos Aires desde junho, e pediu o apoio argentino para recuperar a aeronave.

"Eles pretendem roubar um avião de propriedade da Venezuela, legalmente de propriedade da Venezuela, na Argentina, por mandado de um tribunal imperial", queixou-se Maduro em entrevista à emissora oficial VTV. "A Venezuela pede ao povo argentino todo o apoio para recuperar o avião".

O avião-cargueiro Boeing 747, da companhia venezuelana Emstrasur, está parado no aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires, desde que chegou, em 8 de junho, procedente do México, com um carregamento de autopeças, após uma tentativa frustrada de pousar no Uruguai.

Em 19 de julho, um tribunal do Distrito de Columbia (DC), nos Estados Unidos, emitiu uma ordem de apreensão do avião, por considerar que "foram violadas as leis de controle de exportação" americanas, alegando que houve uma "transferência não autorizada" da Mahan Air para a Emtrasur.

A companhia iraniana é vinculada ao Exército dos Guardiões da Revolução Islâmica-Força Quds (EGRI-FQ), considerada uma organização terrorista por Washington e alvo de sanções, enquanto a Emtrasur é uma filial do grupo venezuelano Conviasa, que também está na lista de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos.

Maduro afirmou que o avião é usado para transportar medicamentos até a Venezuela de países como China, Rússia ou Índia, e para levar ajuda humanitária a países do Caribe. Antes de voar para a Argentina com autopeças, o aparelho esteve no Paraguai em maio, de onde partiu com um carregamento de cigarros para a ilha de Aruba.

"Agora eles pretendem roubar também nosso avião, como roubaram ou pretendem roubar o ouro em Londres", continuou Maduro, referindo-se à recusa do Banco da Inglaterra a lhe dar o controle de reservas de cerca de 1,9 bilhão de dólares em ouro depositadas naquela instituição pelo Banco Central da Venezuela (BCV), o que descreveu como "um ato de pirataria".

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