Mãe acusa escola de negligência após filho autista ser agredido em sala de aula em BH

Fachada da Escola Santo Tomás de Aquino (Foto: Reprodução/Redes sociais)
Fachada da Escola Santo Tomás de Aquino (Foto: Reprodução/Redes sociais)

A mãe de um estudante autista de 13 anos, agredido dentro da sala de aula na última terça-feira (1º) por outro aluno da mesma idade, afirma que a escola foi negligente no atendimento ao menor e de dar uma punição branda para o colega que o agrediu.

Na ocasião, o autor das agressões jogou uma garrafa de água sobre o rosto do aluno autista, dentro da sala de aula, na Escola Santo Tomás de Aquino, em Belo Horizonte.

A mulher de 34 anos, que não quis ser identificada, afirma não ter sido recebida pelos funcionários quando buscou esclarecimentos sobre o ocorrido, destacando indignação com a punição do agressor, que recebeu uma suspensão de dois dias. Ele também retornaria às aulas apenas em uma turma diferente da vítima.

Segundo a ocorrência, o menino teria sido surpreendido pelas costas por outro estudante e jogado ao chão com um golpe conhecido como “mata-leão”.

O agressor foi advertido mais de uma vez por uma professora de matemática. Só então liberou a vítima.

"Ele não conseguia verbalizar nem para mim. Só conseguiu falar após ser levado para a terapeuta dele, que, com muito jeito, conseguiu que ele falasse. Ele disse que, ao final do primeiro horário, estava conversando com um amigo quando esse garoto chegou, jogou ele no chão com muita força e, depois, deu um mata-leão. Tudo isso enquanto os colegas riam e batiam palmas. Quando a professora chegou, pediu várias vezes para ele sair de cima do meu filho, mas, em seguida, só mandou todos irem para suas mesas, e continuou com a aula", detalhou a mãe.

Segundo a mãe, informou o portal g1, ela recebeu uma ligação da enfermaria da escola dizendo que seu filho estaria lá e não conseguia falar sequer uma palavra, em estado de choque após ser encontrado no chão da sala tendo uma crise.

De acordo com a mulher, o filho preferiu dormir durante a aula para evitar que a mãe fosse acionada na escola. Porém, durante o intervalo, o agressor jogou água fria para acordá-lo. A atitude foi suficiente para despertar uma crise de pânico na vítima.

"Começou o recreio e meu filho foi deixado lá sozinho, em abandono. Depois do intervalo, o agressor retornou, acompanhado de uma menina e outro garoto da sala, e, vendo ele dormindo na mesa, derrama uma garrafa de água em sua cabeça. Ele contou que continuou fingindo que estava dormindo, enquanto os três riam, para não ser tão humilhado. Foi uma tortura, né? Assim que eles saíram, ele se jogou no chão, em sofrimento, até ser encontrado e levado para a enfermaria", completa a mãe.

A mulher esperou o filho se recuperar um pouco, após passar pela terapeuta, e foi até uma delegacia e registrou um Boletim de Ocorrência.

No entanto, ela pretende ainda registrar duas novas ocorrências policiais, uma contra os três menores que participaram da "tortura" de seu filho, quando a água foi derramada sobre ele, e outro contra a Escola São Tomás de Aquino, pela omissão no caso.