Mãe de Bolsonaro é vacinada com CoronaVac; 1ª dose do imunizante chinês foi dada no dia 12 de fevereiro

Redação Notícias
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A healthcare worker prepares a dose of the China's Sinovac CoronaVac vaccine during the resumption of priority vaccination at a vaccination center in Brasilia, Brazil, Wednesday, Feb. 17, 2021. The local government resumed its vaccination program for the priority group of elderly people over 79 years, after the four-day carnival recess. (AP Photo/Eraldo Peres)
Filho de dona Olinda questionou a qualidade do imunizante, afirmando que seu maior problema era a origem chinesa e o reduziu a uma bandeira eleitoral de seu principal adversário político, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)

A idosa de 93 anos, Olinda Bonturi Bolsonaro, mãe do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), foi vacinada contra a Covid-19 com a CoronaVac, vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceira com a farmacêutica chinesa SinoVac, em Eldorado, no interior de São Paulo.

A primeira dose da vacinação foi dada no dia 12 de fevereiro, mas a confirmação de que se tratava do imunizante chinês e não dá vacina AstraZeneca e da Universidade de Oxford, conforme prometeu o presidente Bolsonaro, veio nesta quinta-feira (18).

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Após cruzamento de dados do SUS (Sistema Único de Saúde) e informações de Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, feito pelo jornal R7, pode-se constatar que na cidade onde dona Olinda tomou a vacina apenas 26 aplicações foram feitas no dia 12 de fevereiro. Todas da CoronaVac.

Segundo o jornal, a última dose da AstraZeneca/Oxford recebida por um morador do município ocorreu no dia 9 deste mês — três dias antes de Olinda ser imunizada dentro de casa. Os dados correpondem as vacinações de até esta quarta-feira (17).

Dos 1.315 habitantes que obtiveram a primeira dose, ainda segundo o R7, apenas 50 foram da AstraZeneca. Até quarta-feira (17) foram 120 idosos com mais de 80 anos vacinados, sendo que 115 receberam a CoronaVac.

Em declarações no ano passado, o filho de dona Olina questionou a qualidade do imunizante, afirmando que seu maior problema era a origem chinesa e o reduziu a uma bandeira eleitoral de seu principal adversário político, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

No dia 8 de fevereiro, porém, Bolsonaro disse que ele e os irmãos estavam fazendo uma espécie de plebiscito para saber se mãe seria vacinada contra o coronavírus. O presidente, que frequentemente diz que não se imunizará por já ter sido contaminado, afirmou em entrevista à TV Band que votou sim pela vacina.

Guerra das vacinas

Aliados na campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro e Doria já se consideram adversários políticos desde o início da pandemia. O presidente tem adotado uma postura negacionista em relação à Covid-19, enquanto o tucano alega basear suas decisões sempre nos posicionamentos de sua equipe médica.

Bolsonaro, que é contra a obrigatoriedade da vacinação, causou uma crise no país ao desautorizar Eduardo Pazuello, ministro da Saúde, por anunciar um acordo com a gestão Doria para a aquisição do imunizante chinês.

Diante da postura de Bolsonaro, o governo federal afirmou que não iria ajudar financeiramente a vinda da CoronaVac ao país. Em uma de suas transmissões semanais, Bolsonaro ironizou o governador paulista ao pedir para que ele achasse outro para “pagar sua vacina". Doria, por sua vez, chegou a dizer que parecia que Bolsonaro torcia contra a vacina.

Em outubro do ano passado, o presidente Bolsonaro disse que a CoronoVac não seria adquirida pelo governo federal, independente de autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Entre os motivos, o presidente colocava em cheque a eficácia do imunizante.

“A da China nós não compraremos, é decisão minha. Eu não acredito que ela transmita segurança suficiente para a população. Esse é o pensamento nosso. Tenho certeza que outras vacinas que estão em estudo poderão ser comprovadas cientificamente, não sei quando, pode durar anos”, afirmou.

Em dezembro, porém, o Ministério da Saúde, chefiado por Eduardo Pazuello, anunciou que compraria 46 milhões de doses da Coronovac,

No mês seguinte, o governo federal anunciou que compraria todas as doses do imunizante para incluir a vacina no Plano Nacional de Imunização (PNI) e gerir um único calendário de distribuição em todo o país.