Mãe de Henry relata rotina de agressões de Jairinho e diz que foi manipulada após morte do filho

Redação Notícias
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Monique Medeiros garantiu que foi manipulado por Jairinho - Foto: Agência Brasil
Monique Medeiros garantiu que foi manipulado por Jairinho - Foto: Agência Brasil
  • Monique Medeiros disse que era constantemente agredida e chegou a ser enforcada por Jairinho

  • A defesa da mãe de Henry afirmou que ela foi manipulada pelo vereador após a morte do garoto

  • Apesar das argumentações, a polícia não decidiu se chamará a mulher para um novo depoimento

Mãe de Henry Borel, Monique Medeiros garantiu que também era constantemente agredida pelo vereador Dr. Jairinho desde o início do namoro entre eles, no ano passado, e classificou o relacionamento como “abusivo”.

Foi o que revelou a defesa da mulher em contato com o UOL. De acordo com os advogados de Monique, ela vivia em uma rotina de agressões físicas e verbais. Eles também garantiram que a mãe de Henry foi manipulada pelo vereador depois da morte do filho.

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A defesa da mulher afirmou que ela só sentiu-se segura para falar a verdade após a prisão temporária de Jairinho e que, por isso, demorou para apresentar esta versão. Apesar das acusações, a Polícia Civil do Rio ainda não definiu se voltará a chamar Monique para depoimento.

Em defesa de sua cliente, os advogados lembram que testemunhas como a babá de Henry, Thayná Oliveira, e a empregada doméstica da residência, Leila de Souza, mentiram em seus primeiros depoimentos e foram novamente ouvidas.

Em um dos episódios de violência relatados pela defesa, Jairinho teria pulado o muro da casa de Rosângela Medeiros, avó materna de Henry, e enforcado a namorada em um dos quartos.

Monique se diz “manipulada”

Ainda de acordo com os relatos dos advogados, o vereador teria convencido Monique a inventar uma versão sobre a morte de Henry, pressionando-a e fazendo-a acreditar que seria o melhor para todos os envolvidos.

Polícia garantiu que Monique acobertou agressões de Jairinho a Henry - Foto: Agência Brasil
Polícia garantiu que Monique acobertou agressões de Jairinho a Henry - Foto: Agência Brasil

Sobre a versão de Monique do que de fato aconteceu naquele dia 8 de março, a defesa limitou-se a dizer que a mãe de Henry falará sobre isso em depoimento. Porém, adiantou que a mulher de fato diz ter acreditado que o filho fora vítima de um acidente doméstico.

O casal foi preso no último dia 8 por participação na morte de Henry. A polícia disse “não ter dúvida” de que Jairinho foi o responsável pelo óbito do garoto, e que Monique sabia das agressões do namorado ao filho.

O caso Henry Borel

Contra o casal Monique e Jairinho foram cumpridos mandados de prisão temporária por 30 dias, expedidos pela juíza Elizabeth Louro Machado, do II Tribunal do Júri da capital. Os dois são suspeitos de participação na morte do filho dela, Henry Borel Medeiros, durante a madrugada de 8 de março.

De acordo com as investigações, Jairinho agredia o menino com bandas, chutes e pancadas na cabeça e Monique tinha conhecimento disso, pelo menos, desde o dia 12 de fevereiro.

O inquérito aponta que menino chegou ao condomínio Majestic, no Cidade Jardim, levado pelo pai, o engenheiro Leniel Borel de Almeida, por volta de 19h20 do dia anterior. Monique teria dado banho no filho e o colocado para dormir no quarto que dividia com Jairinho. Por volta de 3h30, quando já tinham pego no sono após assistir uma série na televisão, a professora e o vereador disseram ter encontrado a criança caído no chão do cômodo, com pés e mãos gelados e olhos revirados.

Eles então levaram Henry para a emergência do Hospital Barra D’Or, onde as médicas garantem que Henry já chegou morto e com as lesões descritas nos laudos de necropsia. Os documentos mostram que ele sofreu hemorragia interna e laceração hepática e seu corpo apresentava equimoses, hematomas, edemas e contusões. Peritos ouvidos pelo Globo afirmam que os ferimentos não são compatíveis com um acidente doméstico.

Henry era "doce" e "tranquilo"

Na madrugada do dia 18 de março, o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (Solidariedade), definiu seu enteado, Henry Borel Medeiros, filho da professora Monique Medeiros da Costa e Silva, como “doce” e “tranquilo”.

Ao prestar depoimento sobre a morte do menino, na 16a DP (Barra da Tijuca), o parlamentar negou ter sido processado criminalmente em seus relacionamentos anteriores e afirmou acreditar que sua ex-mulher, a dentista Ana Carolina Ferreira Netto, o tenha acusado de lesão corporal em “decorrência de ciúmes”.

Jairinho segue preso - Foto: Reprodução/TV Globo
Jairinho segue preso - Foto: Reprodução/TV Globo

Horas antes de chegar a 16ª DP (Barra da Tijuca), no último dia 17, Monique Medeiros da Costa e Silva trocou ao menos duas vezes de roupa até definir a combinação que usaria para prestar depoimento no inquérito que apura a morte do filho, Henry Borel Medeiros, de 4 anos. Fotos resgatadas em seu aparelho celular, apreendido há duas semanas, mostram que a professora experimentou um macacão preto, posou em frente ao espelho, e depois, depois de consultar um advogado, decidiu ir com um conjunto social branco.

Na delegacia, Jairinho confirmou as informações prestadas por Monique, que dão conta que eles acordaram, por volta de 3h30 do dia 8 de março e encontraram Henry caído no chão, com mãos e pés gelados e olhos revirados. O menino foi levado ao Hospital Barra D’Or, mas as médicas garantiram que ele já chegou morto a unidade de saúde e com as lesões descritas no laudo de necropsia.