Mãe de menina estuprada em SC diz não ter sido ouvida: 'me desesperei'

Menina estuprada ficou 40 dias longe da mãe após ser enviada a abrigo - Foto: Getty Images
Menina estuprada ficou 40 dias longe da mãe após ser enviada a abrigo - Foto: Getty Images

A mãe da menina de 11 anos, vítima de abuso sexual na cidade de Tijucas (SC), e pressionada a não abortar, afirma não ter sido ouvida em instâncias no fórum e ainda ter sido chamada de ‘desiquilibrada’, as afirmações foram feitas em conversa com o "Fantástico", exibido neste domingo (26) pela Rede Globo.

A mulher disse ainda que se sentiu "um nada" durante a audiência com Joana Ribeiro Zimmer, titular da Comarca do município.

Ela procurou o órgão para conseguir autorização para interromper a gravidez da filha após o hospital se negar a fazer o procedimento por estar com 22 semanas de gestação.

Durante audiência, a magistrada fez uma série de perguntas em relação à gestação da criança, a pressionando a não fazer o procedimento de aborto permitido por lei em caso de abuso sexual.

"Eu não podia tomar nenhuma decisão pela vida da minha filha. Então, para mim, foi muito difícil, chorei, me desesperei, gritei dentro do fórum. Até chamada desequilibrada eu fui. Porque era um ser acima de mim, né? Uma lei acima de mim. Nenhuma das vezes que a gente foi a nenhuma das instâncias eu fui ouvida", disse a mãe da menina.

Ainda de acordo com a mulher, ela e a filha passaram mais de quarenta dias longe uma da outra, pois a menina foi enviada para um abrigo por determinação da Justiça enquanto continuava a gerar o bebê.

"Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. Todos os dias eu chorava. Quando eu ia visitá-la, ela sempre chorava e pedia para ir para casa", afirmou.

O marido dela, padrasto da criança, foi acusado sem provas de ter cometido o abuso. Ele se submeteu voluntariamente ao exame de DNA e não teve relação comprovada com o crime.

"Ele foi afastado de casa, teve que manter distância da minha filha, manter distância da minha casa, então a gente só quer que a Justiça seja feita, né?", informou a mulher.

O caso veio à tona após uma parceria do Portal Catarinas e do The Intercept Brasil, que deram publicidade à sequência de ilegalidades. A menina conseguiu, na quarta-feira (22), realizar o aborto no mesmo hospital que, anteriormente, tinha negado fazer o procedimento.

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