Mãe de Miguel, morto ao cair do 9º andar, se matricula em curso de Direto: 'Lutarei por justiça sempre'

Redação Notícias
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Mirtes Renata Souza, mãe do garoto Miguel, que morreu ao cair de prédio em Recife - Foto: Reprodução/TV Globo
Mirtes Renata Souza, mãe do garoto Miguel, que morreu ao cair de prédio em Recife - Foto: Reprodução/TV Globo

Mirtes Renata de Souza Santana, 33, mãe do menino Miguel Otávio Santana da Silva, de apenas 5 anos, que morreu ao cair do 9º andar de um dos prédios de um condomínio de luxo localizado em uma região nobre de Recife, decidiu que vai cursar Direito no próximo ano para se tornar advogada. Segundo ela, a escolha do curso ocorreu durante a luta por justiça pela morte do filho, pois recebeu inúmeros pedidos de ajuda de mulheres em situação de vulnerabilidade.

Ao UOL, Mirtes contou que já planejava cursar uma graduação de nível superior à distância para poder conciliar os estudos com os cuidados com filho e com o trabalho como empregada doméstica. Mas a escolha do curso de Direito veio depois que ela perdeu o filho.

"Essa decisão de me tornar advogada, ao escolher o curso de Direito, me dá força de manter Miguel vivo no meu coração. Lutarei por justiça sempre. Miguel veio com a missão para eu ajudar pessoas que lutam por justiça. Diante de toda essa situação difícil que estou passando, muitas pessoas vêm me pedir ajuda também e isso acendeu essa vontade de ser advogada. Por isso, é importante eu cursar Direito para eu ajudar outras mães que estão precisando de ajuda", destaca Mirtes.

Mirtes se matriculou em uma faculdade particular do Recife, depois de passar no vestibular há dois meses e terá parte do curso custeado por uma bolsa de estudos do programa Educa Mais Brasil. O restante da mensalidade ela mesma vai pagar, pois conseguiu um emprego como palestrante sobre temas étnicos-raciais e voltados às mulheres, por meio do grupo Curumim, entidade que atua no fortalecimento da cidadania de mulheres, dos direitos humanos e da igualdade étnico-racial e de gênero — ela começa a trabalhar em dezembro.

Caso Miguel

De acordo com denúncia do Ministério Público Estadual, Miguel foi deixado sozinho no elevador de serviço pela ex-patroa de Mirtes, se perdeu no prédio e morreu ao cair de uma das sacadas da edificação. Em setembro, Sarí se tornou ré pelo crime de abandono de incapaz com resultado morte, com os agravantes de cometimento de crime contra criança e em ocasião de calamidade pública (pandemia do novo coronavírus), conforme o CPB (Código Penal Brasileiro).

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No dia da morte de Miguel, Mirtes levou o filho para o trabalho porque a creche em que a criança ficava estava com as atividades paralisadas devido à pandemia da covid-19. Ela tinha saído para levar o cachorro dos patrões para passear e deixou o filho com a patroa Sarí.

O crime de abandono de incapaz com resultado morte tem pena de 4 a 12 anos de prisão. Com os agravantes, a ré poderá pegar a pena máxima, caso seja condenada. Sarí aguarda o julgamento em liberdade provisória, após ter sido presa em flagrante e pagar R$ 20 mil de fiança.

A audiência de instrução para julgamento do caso está marcada para o próximo dia 3 de dezembro, às 9h, na 1ª Vara de Crimes Contra a Criança e o Adolescente da capital. A família de Miguel e coletivos de Pernambuco pretendem fazer um protesto na frente do prédio onde ocorrerá a audiência. O movimento ainda está sendo articulado.