Mãe foi criticada por amamentar a filha até os 9 anos

Sharon Spink, de 50 anos, com sua filha Charlotte, de 9 anos. (Foto: Mercury Press)

O assunto amamentação continua sendo controverso – especialmente no que diz respeito à discussão de quanto tempo ela deve durar. O tema é especialmente polêmico no caso de Sharon Spink, uma mãe britânica que fala abertamente sobre como deixou a filha mamar até completar 9 anos de idade.

“Quando eu tive a Charlotte, decidi fazer o desmame de forma natural. É bom que a criança esteja no controle na hora de decidir parar, em vez de ser algo forçado,” Spink, atriz de 50 anos de North Yorkshire, na Inglaterra, disse ao Sun depois de compartilhar sua história com a Caters News Agency. A notícia foi divulgada na mídia de todo o mundo, do Daily Mail ao New York Postde forma similar ao que ocorreu em 2014 quando ela compartilhou sua história pela primeira vez, quando amamentava a filha de 5 anos.

Spink, que tem três outros filhos mais velhos, contou que queria acabar com o estigma ao redor da amamentação prolongada. Trata-se de um conceito que foi promovido por celebridades incluindo Mayim Bialik e Alanis Morissette, e despertou críticas do público diversas vezes, ao longo dos anos. Talvez a reação mais notável tenha sido observada em 2012, quando a capa da revista Time exibiu um menino de 3 anos em pé em uma cadeira mamando no seio da mãe. Isso valeu uma matéria abrangente sobre o crescimento da criação com apego, um método com três pilares principais – a cama ou quarto compartilhado, o uso de slings em vez de carrinhos e a amamentação prolongada – como formas de criar um vínculo.

Mais tarde, surgiram histórias de mães que amamentavam seus filhos de 4 anos e até de 6 anos, e uma que afirmou ter a intenção de continuar a amamentar até que sua filha completasse 10 anos. Todas despertaram críticas acusatórias que invadiram o território sexual, assim como aconteceu com Spink, que contou que sua filha parou de mamar, por vontade própria, há cerca de dois meses. Em resposta, ela foi chamada de “pedófila” no Facebook, onde uma das muitas histórias sobre ela e Charlotte foi compartilhada 6 mil vezes. Outros usuários da rede social chamaram a situação de “insana”, “pervertida”, “egoísta”, “doente”, “bizarra”, abuso infantil”, e “antinatural”.

Sharon Spink e Charlotte, que decidiu parar de mamar há cerca de dois meses. [Foto: Mercury News)

Apesar de todos os ataques sofridos por ela, também surgiram muitos defensores, e um deles inclusive disse que ela era uma “inspiração”.

“Uau, que mulher fantástica, mantendo a amamentação por quase dez anos… Que vínculo maravilhoso elas devem ter,” comentou uma pessoa. “É uma pena que algo tão natural não seja bem-visto atualmente”. Outra usuária disse: “Uma mulher amamentando sua PRÓPRIA filha é errado porque a criança não é um bebê, mas não há problema em adultos humanos tomarem o leite materno de uma vaca. Jesus Cristo, às vezes os humanos são muito estranhos”.

E houve esta resposta sincera às críticas contra Spink: “O julgamento da sociedade é nojento. Vocês sabem que a Organização Mundial da Saúde recomenda a amamentação por um MÍNIMO de dois anos? Por que vocês sentem a necessidade de julgá-la?”

Spink não respondeu imediatamente às perguntas do Yahoo Lifestyle sobre os motivos de decidir tornar sua história pública, ou se a sua filha sofreu algum tipo de bullying por causa do tema. No entanto, ela respondeu a questões semelhantes enviadas na sua página no Facebook, escrevendo: “Ela está bem e os seus colegas de escola são ótimos. Nunca houve qualquer tipo de bullying”.

A idade biológica do desmame para a espécie humana varia entre os 2,5 e 7 anos de idade, de acordo com uma pesquisa realizada por um antropólogo da Texas A&M University, com uma média de 4,3 anos. Nos Estados Unidos, onde a maioria das mães para de amamentar muito antes disso, o CDC indica que 57% dos bebês ainda mamam aos 6 meses de idade (e 25% o fazem exclusivamente durante estes 6 meses), e menos de 36% ainda são amamentados aos 12 meses de idade.

Leigh Anne O’Connor, consultora de amamentação que atende em Nova York e lidera um grupo de apoio sobre o tema, disse ao Yahoo Lifestyle: “É cruel que as pessoas estejam chamando esta mulher de pedófila”. Ela conta que, embora nunca tenha trabalhado com alguém que amamentou tanto quanto Spink, ela deu suporte a uma mulher que amamentou seu filho até os 6 anos de idade, e conheceu uma mãe cujos filhos mamaram por cerca de 8 anos. “Nove anos é mais do que a norma biológica, mas não se trata de algo completamente desconhecido,” disse ela.

“Pode ser desafiador quando o mundo vê como estranho o fato de uma criança que está na pré-escola ser amamentada. Eu imagino que esta mãe seja recebida com críticas ainda mais amplificadas,” acrescenta O’Connor. “A cultura ocidental tem um relacionamento complicado com os seios. Nós os exibimos para vender carros e cerveja, mas quando eles são usados para amamentar bebês e crianças, as pessoas se sentem desconfortáveis”.

Embora alguns dos comentários afirmem que Spink não pode mais estar produzindo leite, O’Connor diz que isso é perfeitamente possível. “É viável que ela esteja produzindo leite durante todo este tempo. Muitas mães produzem leite por anos – elas podem amamentar durante outra gestação, amamentar os dois filhos ao mesmo tempo, e continuar produzindo leite enquanto os seios forem estimulados. Também é possível que a criança mame pouco leite e só queira o conforto”.

Respondendo à pergunta sobre a produção de leite feita a ela no Facebook, Spink disse: “Eu só sabia que ainda havia leite porque Charlotte me dizia que havia”.

O’Connor ressalta que não conhece estudos publicados que mencionem riscos para uma criança que seja amamentada por tanto tempo. Por outro lado, ela destaca que os benefícios incluem um sistema imunológico mais forte para Charlotte e uma “conexão mais intensa entre mãe e filha”.

Beth Greenfield