Mãe recupera guarda de filha tirada após ritual de candomblé

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A manicure Kate Ana Belintani, que teve a guarda da filha devolvida pela Justiça (Reprodução/TV Tem)

A Justiça de São Paulo devolveu à manicure Kate Ana Belintani a guarda da filha de 12 anos, que havia sido tomada pela avó, católica, sob alegação de maus-tratos e suposto abuso em um centro de candomblé frequentado pela menina e seus pais.

A restituição da guarda foi concedida pelo juiz Danilo Brait, da 2a Vara Criminal de Araçatuba (SP), na última sexta-feira (14). Segundo a revista Época, a decisão considerou o exame de corpo de delito feito na garota, que não constatou lesão, hematoma e outro sinal de agressão ou abuso; o depoimento da adolescente confirmando que frequenta a religião com a mãe e estava ciente do ritual a que seria submetida e a manifestação do Ministério Público a favor da revogação da decisão liminar.

A menina estava reclusa no terreiro Centro Cultural Ilê Axé Egbá Araketu Odê Igbô, com o aval de seus pais, passando por uma espécie de “batismo” no candomblé, que costuma durar de dez a 21 dias. A pessoa fica em recolhimento absoluto, veste somente roupas brancas, senta-se apenas no chão ou em um banquinho de madeira, come em recipientes de ágata branca, passa por rituais de limpeza espiritual, toma banhos de ervas para purificação, tem o cabelo raspado e recebe marcas e desenhos no corpo feitos com produtos naturais.

Policiais armados invadiram o centro religioso depois de receberem uma denúncia anônima de que a menina estava sendo mantida em confinamento, era alvo de maus-tratos e suposto abuso sexual. No dia 28 de julho, a Justiça a tirou da guarda de sua mãe. A avó da garota, Maria de Lourdes Vanzelli, de 72 anos, havia pedido a guarda provisória.

Os pais da adolescente não foram ouvidos pelo juiz nem pelo MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo), que tem a prerrogativa de acompanhar casos envolvendo menores. Belintani acredita ter sido vítima de preconceito religioso, por sua família ser católica.

“Sem mais nem menos, sem ser ouvida pelo juiz, perdi a guarda da minha filha por causa dessa denúncia de maus-tratos e confinamento, que nunca existiram. Nunca imaginei que minha família seria capaz de fazer isso”, disse.

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