Mães resgatam corpos em mangue no Rio após operação da PM: “Sinais de tortura”

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Moradores do Complexo do Salgueiro falam em chacina após ação da PM na comunidade (Foto: Reprodução/TV Globo)
Moradores do Complexo do Salgueiro falam em chacina após ação da PM na comunidade (Foto: Reprodução/TV Globo)
  • Moradores do Complexo do Salgueiro relatam que mães de vítimas estão entrando no mangue para retirar os corpos

  • Até o momento, foram encontrados nove corpos no local

  • Ação da PM, classificada como chacina por moradores, começou após morte de policial

Moradores do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, relatam que as mães das vítimas estão entrando no mangue para resgatar os corpos dos filhos. Até o momento, foram encontrados nove corpos e testemunhas falam em “sinais de tortura”.

Segundo a TV Globo, moradores das Palmeiras classificam a ação policial como uma chacina. “Os corpos estão todos jogados no mangue, com sinais de tortura. As pessoas, uma jogada por cima da outra. Estava com sinal totalmente de chacina mesmo”, revelou um morador do local.

Outra moradora afirmou que muitos conhecidos foram mortos pelos PMs. “A gente estava gritando no mangue para ver se consegue tirar, mas todos mortos”, disse.

À TV Globo, uma terceira moradora disse que as mães das vítimas estão entrando na região do mangue para resgatar os corpos. “As mães estão entrando dentro do mangue. Com o mangue acima do joelho para poder tentar puxar os corpos”, detalhou à TV Globo.

Ao jornal Extra, outra pessoa que vive no local revelou que, entre as vítimas, havia pessoas envolvidas com o crime, mas também “pais de família”. Além disso, o morador revelou que não foram encontradas armas junto aos corpos. 

“Tinham pessoas envolvidas com o crime? Tinham. Mas a grande maioria não tem nada com o fato. Muitas pessoas estão desfiguradas. Se eles tivessem a intenção de prender, não teriam feito isso. Quem correu se salvou. Essas mortes aconteceram de ontem para hoje. (Os policiais militares) passaram de sábado para domingo e ontem durante o dia eles saíram e voltaram. Se fosse troca de tiros, os jovens não estariam assim. Eles fizeram uma chacina. Resgatamos os corpos e não achamos nenhuma arma. Morreu um PM em um dia e no outro eles fizeram uma chacina.”

O que se sabe sobre operação da PM

Na manhã desta segunda-feira (22), moradores do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, encontraram ao menos oito corpos em um manguezal no bairro de Itaúna. Inicialmente, haviam sido encontradas sete vítimas, mas o número aumentou. Moradores do local falam em uma chacina provocada pela política militar. A corporação, por sua vez, fala em “confrontos”. As informações são da TV Globo.

O porta-voz da PM, tenente-coronel Ivan Blaz, afirmou que houve “confrontos intensos” na área de mangue, que tem difícil trânsito.

Durante a madrugada do último sábado (20), um policial militar foi baleado por traficantes, segundo a PM. Leandro Rumbelsperger da Silva chegou a ser levado a um hospital, mas não resistiu e morreu. No domingo (21), uma senhora idosa foi atingida no braço. Sobre o PM morto, Ivan Blaz declarou que, após o ocorrido, o Bope fez uma intervenção na região.

“Logo depois desse ataque que vitimou o sargento Leandro, nós tivemos a intervenção de homens do Bope ali na área”, disse o porta-voz da PM. “Também tivemos a apreensão de muitos materiais utilizados em combate. Então você tem ali cinto de guarnição, coletes, pistolas, munição.” O PM também disse que os criminosos usaram escolas como abrigo.

O porta-voz ainda afirmou que é possível “deduzir que houve inúmeros feridos neste confronto”. “Logicamente, em se tratando de um momento de instabilidade, não foi possível fazer esta varredura. Agora, ao longo do dia, podemos ter este trabalho já com a perícia, uma vez que o caso já foi registrado na Polícia Civil”, disse Blaz.

Protestos nas redes sociais

Nas redes sociais, moradores do Complexo do Salgueiro lamentam a situação do local e usam a hashtag #SalgueiroPedePaz. Alguns usuários das redes sociais chamaram a ação policial de “covardia”, compararam a ocorrência com a chacina do Jacarezinho e relataram que famílias e amigos amanheceram em luto.

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