Magé: coleta é retomada na cidade enquanto lixo já chega na altura dos muros

Marcelo Antonio Ferreira*
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Foto: Cléber Júnior

Na manhã desta segunda-feira, a coleta de lixo em Magé voltou a circular pela cidade, mas de forma lenta, após um impasse judicial entre a prefeitura da cidade e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Por volta das 14h, uma moradora da Rua Antônio da Rocha Paranhos, que preferiu não ser nomeada, informou que, pela primeira vez, em quase uma semana, um caminhão do lixo recolhia os entulhos ali na região do bairro Vila Inhomirim.

A preocupação dos moradores é que o município ainda esteja assim no Ano Novo, já que, apesar de a Prefeitura ter prometido regularizar a situação antes do réveillon, a demanda é muita. Na Vila Carvalho, alguns locais estão há uma semana sem coleta, como nas ruas Prefeito Olívio de Matos e Belo Horizonte, onde há diversos pontos de lixo. Um deles é em frente à casa do marceneiro Ivan Pimenta, de 40 anos.

— Lixo causa mau cheiro, além de nos trazer ratos e doenças. Antes, o lixeiro passava três vezes no nosso bairro. Espero que seja resolvido logo essa situação — pede o morador, que tem solicitado às pessoas que vêm de outro bairro para não depositar os restos ali.

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É o mesmo caso do militar Lucas Antônio, de 20 anos, que mora no Beco do Saci com a família. Lá, as ruas Bela Vista, Boa Vista e Niterói também estão sem coleta desde o dia 22:

— Estamos colocando o lixo na esquina, com medo de doenças e pelo mau cheiro também. Espero que tomem logo uma providência sobre essa situação. Não podemos conviver com a cidade cheia de lixo, proliferando doenças.

Na semana do natal, o órgão decretou que o aterro sanitário do município da Baixada Fluminense, que conta com 240 mil moradores, fosse fechado ao constatar a condição de crime ambiental no cenário. Segundo o Inea, a equipe de fiscalização encontrou diversos fluxos de escoamento de chorume diretamente para o solo e uma ampla área de resíduos expostos e disposição de detritos em área não impermeabilizada; além disso, a prefeitura já teria sido notificada da situação anteriormente e não tinha realizado os reparos.

Em protesto, no último sábado, o prefeito Rafael Tubarão despejou entulhos de lixo na porta da sede do Inea, no bairro da Saúde, no Centro do Rio. Prestes a deixar o cargo, o gestor alegou que, por ser realizada no meio de uma pandemia, a atitude de fechar o aterro pode trazer sérios problemas à saúde da população do local, que ainda se recupera das chuvas que o estado fluminense sofreu na última semana.

Ainda no sábado, a Prefeitura de Magé entrou com uma ação contra o Inea e conseguiu aval para reabrir o aterro; o instituto, por sua vez, realizou um pré boletim de ocorrência, para relatar a atitude de Tubarão na sede.

Por nota, a prefeitura informou que todo o efetivo está investido na retomada das coletas.

“A coleta de lixo foi retomada e será normalizada aos poucos, todo o efetivo está em atividade e mais compactadoras foram colocadas em serviço. Magé é um município muito extenso e por isso alguns bairros ainda estão em defasagem devido à quantidade de lixo acumulada durante a interdição.

Destacamos que Magé é o único município da Baixada Fluminense que tem um aterro sanitário municipal e com essa interdição ficamos sem fazer a coleta, porque não temos o serviço terceirizado como outros municípios.

A coleta está sendo normalizada aos poucos e as equipes estão na rua para que a população não seja prejudicada.

O Inea foi informado nesta segunda-feira sobre a reabertura do aterro, porém, também por meio de uma nota, informou que, caso a situação ambiental não seja reparada, o local pode ser fechado de novo.

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informa que foi intimado, nesta segunda-feira (28/12), da decisão da liminar que determinou a reabertura do aterro sanitário de Magé. A mesma foi expedida pelo plantão judiciário da Comarca da Capital.

No entanto, na liminar há a ressalva de que o órgão ambiental estadual pode continuar vistoriando o aterro sanitário. Caso o Inea constate que a administração municipal de Magé descumpre a regularização do local, o mesmo pode ser interditado novamente”.

*Estagiário sob supervisão de Leila Youssef