Magé reabre aterro sanitário, mas lixo ainda ocupa ruas do município, na Baixada Fluminense

Marcos Nunes
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A junção da interdição de um aterro sanitário, por conta de uma série de irregularidades, entre elas o vazamento de chorume no solo, e a falta de planejamento da Prefeitura de Magé, que não atendeu exigências feitas pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) para resolver o problema, transformou o natal dos mais de 240 mil moradores da cidade, localizada, na Baixada Fluminense, em uma grande dor de cabeça. Sem ter onde despejar o lixo, o município deixou de fazer a coleta regular dos detritos.

O resultado é que, há pelo menos três dias, ruas de bairros como Pau Grande, Andorinhas, e parte de Fragoso estão completamente tomadas pelo lixo. Neste sábado, como forma de protesto, Rafael Tubarão, prefeito da cidade, chegou a despejar detritos que estavam em um caminhão em frente a sede do Inea, no Centro do Rio.

A atitude de Tubarão, além de não resolver o problema de Magé, ainda rendeu uma multa para o prefeito, que será cobrada pela Prefeitura do Rio por ele ter jogado o lixo em solo carioca.

Neste domingo, a Prefeitura de Magé informou ter entrado na Justiça , ainda no sábado contra a decisão do Inea. E que coneguiu autorização judicial para desbloquear. Segundo o município, a coleta voltou a ser feita.

Mesmo assim, moradores de Magé ainda continuavam, neste domingo, convivendo com a sujeira e o lixo acumulado nas ruas.

— Está tudo cheio de lixo aqui. A última vez que o lixeiro passou foi antes do natal — disse Patrícia Souza, moradora do Bairro Andorinhas.

Outra moradora do Bairro Fragoso, que pediu para não ter seu nome divulgado, resumiu a situação, na Rua Antonio Rocha Paranhos, no Bairro Fragoso.

— Está tudo sujo e com um cheiro horroroso — disse.

A reportagem teve acesso ao relatório da inspeção feita pelo Inea, no último dia 16 de novembro, no aterro sanitário de Bongaba, em Magé, onde a cidade deposita, em média 25 caminhões de detritos por dia.

Além do vazamento de chorume, o documento cita ainda, entre outra coisas, que foi constatado deposito de resíduos após o limite de disposição do terreno, que estava sendo feito em uma área em direção a uma mata. O relatório cita, na época, um prazo que varia entre 15 a 30 dias para a situação ser resolvida no município e as exigências serem atendidas. Como nada foi feito, o local foi interditado, segundo a Prefeitura de Magé, no último dia 22.

Procurada, neste domingo, a assessoria do Inea, informou que a interdição da célula sanitária foi feita após a constatação de crime ambiental no local. Segundo o Instituto Estadual do Ambiente, a equipe de fiscalização encontrou diversos fluxos de escoamento de chorume diretamente para o solo, além de uma ampla área de resíduos expostos e disposição de detritos em área não impermeabilizada.

Também procurada, a Prefeitura de Magé disse que a coleta de lixo está sendo normalizada aos poucos. O município alegou ainda que a coleta está em defasagem em vários bairros por conta do acúmulo de lixo por vários dias.

Abaixo as notas do Inea e da Prefeitura de Magé sobre o assuto:

Inea

"O Inea informa que realizou a interdição da operação sanitária em Magé pois foi constatado crime ambiental. A equipe encontrou diversos fluxos de escoamento de chorume diretamente para o solo, além de uma ampla área de resíduos expostos e disposição de resíduos em área não impermeabilizada.

Em 2019 foi emitida uma licença de operação e desde então o órgão ambiental realiza vistorias constantes. Nesse período a Prefeitura de Magé já foi diversas vezes notificada e autuada por irregularidades operacionais.

Existe uma lista de aterro licenciados que o município pode descartar os resíduos. O Inea não pode indicar um local específico para eles disporem esse material, pois isso pode configurar como interferência na gestão municipal.

Sobre o despejo de lixo na sede do Instituto, o Inea realizou de forma on-line o pré boletim de ocorrência. O Instituto aguarda o andamento do trâmite para saber em qual tipificação de crime a Polícia Civil irá enquadrar o ato."


Prefeitura de Magé
"A coleta de lixo está sendo normalizada aos poucos, mas muitos bairros ainda estão em defasagem devido a quantidade de lixo que se acumulou durante a interdição. Magé é o único município da Baixada Fluminense que tem um aterro sanitário municipal e com essa interdição ficamos sem fazer a coleta, porque não temos o serviço terceirizado como outros municípios.

A Prefeitura de Magé também esclarece por meio da assessoria do prefeito Rafael Tubarão que ele está ciente da multa que pode tomar, mas que agiu em defesa do povo mageense. A ação foi uma de repúdio e ajuda a cidade que estava com lixo espalhado por todos os cantos. Além disso, a interdição veio após as fortes chuvas da última terça-feira (22) onde o município de Magé foi o mais atingido no Estado e choveu 255 mm em 12 horas, que seria a previsão para todo o mês.

Na sexta-feira (25) a Prefeitura de Magé recorreu na justiça à decisão do INEA e ganhou a ação no sábado (26), liberando o funcionamento do aterro. A coleta está sendo normalizada aos poucos e as equipes estão na rua para que a população não continue sendo prejudicada."