Mágica? Em dois dias, Bolsonaro promete dois auxílios sem dizer de onde virá o dinheiro

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Chefe do Executivo nacional vem prometendo ajudas sem maiores detalhes de gastos ou funcionamento. (AP Photo/Eraldo Peres)
Chefe do Executivo nacional vem prometendo ajudas sem maiores detalhes de gastos ou funcionamento. (AP Photo/Eraldo Peres)
  • Num espaço de tempo de 30h, o presidente anunciou duas novas políticas de auxílio e renda;

  • Na lista da 'boa vontade', estão o Auxílio Brasil e uma 'ajuda' para 750 mil caminhoneiros autônomos;

  • O 'mistério' segue enquanto o país repercute possíveis 'furos no teto de gastos públicos'.

Num espaço de tempo de 30h, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou duas novas políticas de auxílio e renda: o novo substituto do Bolsa Família, chamado Auxílio Brasil, que pagará R$ 400 para cerca de 17 milhões de famílias; e uma 'ajuda' para 750 mil caminhoneiros autônomos pagarem pelo preço caro do diesel.

Uma das semelhanças em ambos anúncios é que o Chefe do Executivo nacional não revelou a fonte de gastos para tal altruísmo. O 'mistério' segue enquanto o país repercute possíveis furos no teto de gastos públicos.

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Durante discurso em evento no Ceará, o presidente matou a curiosidade dos brasileiros e finalmente confirmou o valor do novo programa de transferência de renda."Nós decidimos, como está chegando ao fim o auxílio emergencial, dar uma majoração ao antigo programa Bolsa Família, agora chamado Auxílio Brasil, de R$ 400", disse ontem (20).

Bolsonaro também afirmou que o recurso deve vir do Orçamento da União, sem prejudicar o teto de gastos. "Ninguém vai furar teto, ninguém vai fazer nenhuma estripulia no Orçamento. Seria extremamente injusto deixar aproximadamente 17 milhões de pessoas com um valor tão pouco do Bolsa Família". 

Na parte da tarde, o ministro da Cidadania, João Roma, disse que o benefício do programa Auxílio Brasil começará a ser pago a partir de novembro. Não foi detalhada a fonte de recursos para que a nova iniciativa social do governo federal siga as regras de responsabilidade fiscal sem furar o teto de gastos.

Hoje, em meio ao início das paralisações dos caminhoneiros no sudeste do país, o presidente voltou a discursar e disse que pagará ajuda para caminhoneiros autônomos, como compensação pelos reajustes recentes no preço do diesel. Sem muito detalhes, o presidente disse que em torno de 750 mil profissionais serão beneficiados.

Guedes afirma que o 'furo' do teto de gastos deve acontecer

Nessa quarta-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, falou em “licença para gastar” R$ 30 bilhões fora do teto de gastos, que limita o crescimento da despesa à inflação, para bancar parte do novo programa social do governo federal.

Durante evento da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias, o ministro afirmou que a discussão sobre o Auxílio Brasil envolve duas possibilidades: revisar os índices de correção que impactam o teto de gastos ou pedir uma licença para fazer um gasto temporário até o fim de 2022.

"Queremos ser um governo reformista e popular, e não um governo populista. Os governos populistas estão desgraçando seus povos na América Latina", declarou o chefe da Economia.

Ao Jornal O Globo, Roma disse que não é 'fura-teto' e que briga para incluir os recursos do sucessor do Bolsa Família no Orçamento, dentro das regras fiscais.

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