Maia, Alcolumbre e congressistas mergulham em campanha de pai e irmãos nas eleições

DANIELLE BRANT E RENATO MACHADO
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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 06.10.2020 - Presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP), acompanhados do ministro da Economia, Paulo Guedes. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 06.10.2020 - Presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP), acompanhados do ministro da Economia, Paulo Guedes. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Depois de meses de um ritmo de votação acelerado mesmo durante uma pandemia, o Congresso entrou em outubro em um modo marasmo, com presidentes, deputados e senadores dedicados a emplacar pais e irmãos nas eleições municipais.

O esforço começa do topo. Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), se tornaram os principais cabos eleitorais de parentes.

Maia, por exemplo, usa suas redes sociais para fazer campanha para o pai, Cesar Maia (DEM), candidato a vereador. A foto do presidente da Câmara no Twitter e no Instagram tem o número do ex-prefeito do Rio de Janeiro.

No Instagram, o apoio é mais explícito, com postagens a favor do pai e um vídeo que traz seu depoimento a favor da candidatura de Cesar Maia.

Já Alcolumbre tenta assegurar a vitória do irmão Josiel (DEM) na prefeitura de Macapá. Josiel mantinha uma liderança relativamente tranquila nas pesquisas de intenção de voto, realizadas antes do apagão que atingiu o Amapá a partir de 3 de novembro e provocou o adiamento das eleições na capital do estado, além de ter feito com que os rivais dirigissem seus ataques ao líder.

Os eventos dos últimos dias no estado acabaram respingando no irmão do presidente do Senado. Na última pesquisa Ibope, divulgada na noite de quarta-feira (11), Josiel ainda liderava, mas com 26% dos votos —9 pontos percentuais a menos do que no levantamento anterior.

A queda aconteceu apesar do esforço de Alcolumbre para que o caos em sua base eleitoral e a crise energética não enfraquecessem a candidatura do irmão.

Logo no início do problema, o senador deixou uma sessão do Congresso no Senado na quarta-feira (4) e rumou para o estado.

Desde então, o presidente do Senado dedica a maior parte das postagens ao problema de fornecimento energético no Amapá, desconsiderando todos os outros assuntos que viraram notícia desde então, como a eleição do democrata Joe Biden nos Estados Unidos —Maia parabenizou o americano pela vitória.

Além disso, tem solicitado a todo custo um grande engajamento do governo federal, com reuniões frequentes com o ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) e mesmo com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Os dois estão longe de serem os únicos cabos eleitorais do Congresso. Na Câmara e no Senado são vários os casos de parlamentares que deixaram de lado preocupações legislativas para se jogar nas campanhas de parentes ou amigos.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho 03 do presidente da República, alterna postagens críticas à mídia e aos adversários políticos do pai com —raras— mensagens de apoio ao irmão Carlos, candidato à reeleição na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, e à mãe, Rogéria, que disputa o mesmo posto.

Seguindo o exemplo do pai, que usa suas lives para fazer campanha eleitoral, o deputado dedica parte do tempo em suas redes sociais para promover candidaturas de prefeitos —como Celso Russomanno, em São Paulo, e Allan Lyra, em Niterói (RJ)— e vereadores.

Nesse sentido, o irmão mais velho, senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), tem atuação ainda mais discreta.

No Twitter, suas postagens buscam divulgar o governo do presidente. Mesmo no Instagram são quase inexistentes as mensagens de apoio a seus familiares —uma das poucas, postada no dia 8, reúne Carlos e Rogéria no mesmo post.

Discrição, por outro lado, é uma palavra que pouco se aplica à estratégia adotada pela deputada bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP) para tentar eleger o irmão Bruno como vereador de São Paulo.

No Twitter, ao lado do nome, Zambelli colocou o número de Bruno. A deputada, que faz postagens críticas ao presidente da Câmara, de defesa de Bolsonaro e de torcida por Donald Trump na eleição em que o republicano foi derrotado, também dedica algum tempo para divulgar o irmão e outras candidaturas —no Instagram, o esforço é mais visível.

A campanha de Bruno Zambelli chama a atenção por ter arrecadado apenas R$ 2.500, valor contido em uma única doação de apoiador, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

O único gasto até o momento foi de R$ 1.264, com uma empresa de comunicação visual, que, curiosamente, pertence ao apoiador que fez a doação.

A deputada também abraçou a campanha do Major Paulo (Patriota) à prefeitura de Mairiporã (SP). O pai da parlamentar, João Hélio Salgado, é vice na chapa.

Além disso, ela tenta assegurar uma vaga para a cunhada Tatiana Flores Zambelli na Câmara Municipal da cidade.

Outros dois bolsonaristas tentam emplacar parentes nas eleições municipais.

O deputado Carlos Jordy (PSL-RJ) faz campanha pelo irmão Renan Leal (Podemos) como vereador em Niterói. O colega Otoni de Paula (PSC-RJ) tenta eleger o pai, Otoni de Paula Pai (Solidariedade), vereador no Rio de Janeiro.

Em Niterói, ambos travam um embate para se apropriar da expressão "candidato de direita" na briga pela prefeitura. Jordy apoia Allan Lyra (PTC). Otoni de Paula defende a eleição de Deuler (PSL).

No Senado, além de Alcolumbre, outros congressistas atuam pela vitória de seus candidatos. O líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), faz campanha pelo irmão André Gomes (Avante) como vice-prefeito de Palmas. Sua chapa lidera a corrida, segundo as pesquisas.

O senador Esperidião Amin (PP-SC) respalda a mulher, a deputada federal Ângela Amin (PP-SC), na corrida pela prefeitura de Florianópolis. Ela aparece em terceiro nas pesquisas, com 9%, em uma disputa que deve ser resolvida no primeiro turno, com a provável vitória de Gean Loureiro (DEM).