Maia sugere que Bolsonaro mudou de postura por pressão de investidores da bolsa

Thiago Herdy e Sérgio Roxo
Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse nesta quarta-feira durante reunião com os 26 governadores de estado e do Distrito Federal entender que o debate sobre o isolamento ou não de pessoas por conta da prevenção do contra o coronavírus é resultado de pressão de investidores na Bolsa de Valores, que estariam frustrados com as perdas das últimas semanas. Ele defendeu que os governadores se desviem deste debate e foquem sua atuação na defesa das vidas de cidadãos.

“A gente tem que sair deste enfrentamento sobre abrir ou não abrir (empresas), sair ou não sair do isolamento, porque isso nada mais é do que a pressão de milhares de pessoas que aplicaram os seus recursos na bolsa (de valores) e acreditaram no sonho da prosperidade da bolsa com 150 mil pontos, e hoje ela está a 70 mil pontos, por vários problemas”, disse o presidente da Câmara dos Deputados, por meio de videoconferência.

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De acordo com o dirigente, é preciso também cuidar dessas pessoas, mas esta pressão que começou há “quatro ou cinco dias” e teria refletido, segundo sugeriu, na mudança do nível de adesão do governo federal às recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), no que diz respeito às medidas de prevenção ao coronavírus.

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“A gente foi vendo parte do mercado caminhando pra isso. Eles são assim, eles vivem de estatística, mas todos nós que fazemos política vivemos das vidas. Então é isso que a gente tem que saber equilibrar, as vidas com os empregos”, disse Maia.

Por mais de duas horas, ele ouviu as demandas dos governadores e defendeu a articulação, no curto prazo, de projetos prioritários de atenção à crise do coronavírus. O presidente da Câmara defendeu que se priorize a garantia de condições de vida e renda mínima aos mais vulneráveis e de renda para municípios e estados, além do emprego.

Defendeu também a edição de medida provisória que novamente preveja a suspensão de contratos de trabalho, mas garantindo a remuneração do seguro desemprego. Projeto anterior levado pelo governo não previa compensação financeira para os trabalhadores, por isso ele foi abortado.

A reunião dos governadores foi articulada pelo governador João Dória, no dia seguinte ao pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, que defendeu na TV mudanças na política de isolamento por causa do risco de surto do coronavírus no país.

O presidente defende o isolamento apenas de idosos e grupos de risco, o que especialistas e infectologistas consideram medida arriscada, por ampliar a presença do vírus na população e o risco de sobrecarga à rede pública de saúde.

Os governadores pretendem discutir uma estratégia nacional de contenção do coronavírus sem flexibilizar o isolamento da população e aumentar o risco de propagação da doença.

Desde a noite de terça, governadores têm intensificado a articulação com representes do Legislativo e Judiciário, para discutir formas de minimizar os prejuízos do novo posicionamento do presidente ao enfrentamento da doença.