Maia descarta abrir processo de impeachment contra Bolsonaro

Bruno Góes e Natália Portinari
·1 minuto de leitura
Foto: Edilson Dantas / Agência O Globo

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), descartou nesta segunda-feira dar prosseguimento a qualquer processo de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro. No domingo, em reunião com líderes de partidos do seu bloco e o presidente do DEM, ACM Neto, Maia disse que poderia dar início ao procedimento. O diálogo foi confirmado ao GLOBO por quatro parlamentares que estavam na reunião.

O GLOBO também entrou em contato com o presidente da Câmara para questioná-lo sobre o assunto no mesmo dia da reunião. Maia, entretanto, não respondeu. Nesta segunda, ele deu outra versão sobre o momento de tensão em sua residência, diferente de todos os parlamentares que relataram o ocorrido.

— Nunca disse que ia dar (entrada em um processo de impeachment). Vocês que inventaram isso — disse Maia a jornalistas.

Em sua residência, Maia foi informado por ACM Neto que havia apoio suficiente para o partido apoiar Arthur Lira (PP-AL), candidato do Palácio do Planalto. Mais tarde, na sede do partido, a Executiva do DEM ratificou a decisão de abandonar Baleia Rossi.

Segundo um deputado que estava na reunião, em um momento tenso, Maia disse que não aceitaria a interferência do governo no próprio partido. Chegou a dizer que não teria outra opção, a não ser abrir um dos processos de impedimento.

De acordo com outro deputado, Maia argumentou que não veria o governo "comprar" colegas de partido, ao oferecer fatias do orçamento e verba às bases de deputados, sem fazer nada. Indicou que isso seria crime de responsabilidade.

Deputados de oposição também reagiram e incentivaram, segundo um dos relatos, que Maia abrisse logo todos os processos de impeachment, "para dar mais trabalho ao governo".