Maia diz que ajuda a empresas anunciada pelo governo é 'tímida' e 'não vai resolver nada'

Bruno Góes
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, participou de teleconferência e falou sobre nova medida do Executivo

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta sexta-feira que a linha de crédito emergencial para pequenas e médias empresas anunciada pelo governo federal é "tímida" e "não resolve nada". Em teleconferência com mais de 1.000 empresários do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), Maia disse o governo precisa ter um esforço maior para atender a vários setores. 

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, anunciou nesta sexta-feira a medida para que as empresas consigam quitar suas folhas de pagamento durante dois meses. No total, a linha de crédito será de R$ 40 bilhões, durante dois meses. Desse total, 85% (ou R$ 34 bilhões) serão subsidiados pelo Tesouro Nacional.

O subsídio era uma demanda dos bancos privados para criarem essa linha de crédito.

— Acho que essa (decisão) do financiamento, que eu não acho ruim, porque, pela informação que eu tenho, a taxa de captação é a mesma do empréstimo. (Tem) uma carência, um prazo para pagar, (e) a garantia majoritária do governo, ainda é tímida, R$ 20 bilhões por mês, não vai resolver nada — afirmou Maia.

Ao ser questionado sobre a relação entre os poderes, Maia disse que o governo está travado e não conseguiu elaborar com agilidade medidas para combater a pandemia do coronavírus. Ele argumenta que, se o governo federal já tivesse focado em medidas contra o desemprego, postergado o pagamento de impostos e apresentado uma solução para pagamento de aluguéis, não haveria conflito.

Maia enfatizou que o país deveria "estar unido sob a coordenação do presidente":

— Se o governo tivesse garantido uma previsibilidade nos próximos dois meses, não ocorreria esse conflito nas redes sociais entre liberar ou não liberar (o isolamento social). A Itália testou, liberou e se arrependeu.

Maia disse ainda que todos os governos impactados pela pandemia estão despejando dinheiro na economia, uma ação empreendida em cenário de "guerra".

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