Maia diz que não é hora de adiar eleição e que Mandetta 'vai muito bem' na Saúde

Bruno Góes e Amanda Almeida
Rodrigo Maia, presidente da Câmara

BRASÍLIA — O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ao GLOBO, neste domingo, que não é hora de discutir um eventual adiamento das eleições.

O tema foi levantado pelo ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) em teleconferência com prefeitos hoje. Ele sugeriu que se faça um "mandato tampão" por causa da pandemia do coronavírus. Maia reagiu:— Eleições começam dia 15 de agosto. Vamos focar agora no tema da saúde. Aliás, área em que o Mandetta vai muito bem. Na hora correta vamos cuidar da eleição.

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Segundo o calendário eleitoral, 15 de agosto é o último dia para os partidos políticos e as coligações apresentarem à Justiça o requerimento de registro de seus candidatos. Em outras palavras, é o dia em que a população passa a conhecer todos que estarão concorrendo no pleito.Mandetta disse que "eleição no meio do ano vai ser uma tragédia".

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— Estou alertando que todos vocês precisam, com todas as diferenças políticas, (se entender). Aliás, eu faço aqui até uma sugestão para vocês discutirem. Está na hora de o Congresso olhar e falar: "olha, adia (as eleições)".

Faça um mandato tampão desses vereadores e prefeitos. Eleição no meio do ano vai ser uma tragédia. Vai todo mundo querer fazer ação política. Eu sou político. Não esqueçam disso — disse Mandetta.Líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO), também é a favor do adiamento.— Adiar as eleições municipais é concordar com a realidade. Só isso. Não há como realizar eleição sem contato físico. A prorrogação de mandato acaba sendo a melhor solução econômica e democrática.

Líder do DEM na Câmara, mesmo partido de Maia, Efraim Filho (PB) tem um entendimento diferente do presidente da Câmara. Ele afirma que é preciso suspender a data das eleições para não haja disputas políticas. O assunto já é debatido entre as lideranças.

— É hora de tomar a seguinte decisão para que a política não contamine a saúde: pensar que as eleições estão suspensas para que a gente defina o calendário a partir do fim do estado de calamidade pública. Não necessariamente dizer que vai prorrogar para 2022 e nem estabelecer já uma data, seja novembro ou dezembro. Acho que é tema que devemos deixar em aberto a depender da evolução da crise — disse Efraim.

No Senado, o líder do PDT, Weverto Rocha (MA), diz que é hora de prudência:— Temos de esperar mais um pouco para fazer essa avaliação. Temos de ver o que vai acontecer nos próximos dois meses. E, em maio, reunir todos os conselhos da República, Poderes, partidos e achar uma solução. Agora, é hora de tentar controlar a curva da propagação da doença.Weverton acrescenta que não é hora de o ministro da Saúde levantar esse debate.

— Ele está indo muito bem no trabalho. Nós, da oposição, reconhecemos isso. Mas não é assunto para ele tratar. Ele tem de cuidar da Covid-19. Essa outra discussão é política.