Maia elogia escolha para o Ministério da Justiça, mas prevê dificuldades para Ramagem na PF

Bruno Góes

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), elogiou nesta terça-feira a escolha de André Mendonça, ex-advogado-geral da União, para o Ministério da Justiça. Apesar de enaltecer Mendonça, em entrevista ao apresentador José Luiz Datena, na TV Band, Maia disse que Alexandre Ramagem, escolhido para a chefia da Polícia Federal, terá dificuldades para lidar com a corporação.

Ao pedir demissão do Ministério da Justiça, o ex-ministro Sergio Moro acusou o presidente Jair Bolsonaro de tentar interferir politicamente na PF. Moro disse que Bolsonaro exigiu a demissão do ex-diretor-geral Maurício Valeixo e pediu para obter relatórios de inteligência da corporação.

Ramagem é amigo dos filhos de Bolsonaro e chefiava a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

— Não conheço o quadro que foi para a Polícia Federal (Alexandre Ramagem). Acho que ele vai ter dificuldades na corporação, da forma como ficou polêmica a sua nomeação. A gente sabe que a Polícia Federal é uma corporação muito unida. Trabalha de forma muito independente. Qualquer tipo de interferência é sempre rechaçada. Em outros governos foi assim, mas eu não conheço (o indicado de Bolsonaro) — afirmou Maia.

O presidente da Câmara acrescentou que Mendonça fez um bom trabalho por onde passou e ainda elogiou o seu substituto na Advocacia-Geral da União (AGU), José Levi.

— Em relação ao ministro (Mendonça), ele fazia um ótimo trabalho na AGU. Acho que vai fazer um ótimo trabalho no Ministério da Justiça. É um quadro preparado, equilibrado. E com o (José) Levi indo para a AGU, é um quadro que já trabalhou no Ministério da Justiça à época do presidente Michel Temer e estava na procuradoria da Fazenda. É um quadro muito respeitado em Brasília. Tem ótimas relações no mundo jurídico. Acho que ajuda. São duas escolhas que podem ajudar o governo na interlocução com o Judiciário - avaliou Maia.

Durante a entrevista, Maia voltou a dizer que o foco do parlamento deve ser o enfrentamento às crises sanitária, econômica e social. Ele indicou que a Câmara não deve estimular a evolução de uma crise política com a discussão de um processo de impeachment. Para Maia, o caso envolvendo as acusações de Moro já será tratada em inquérito autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).