Maia negocia ida para o PSL e quer levar junto cerca de 40 políticos com mandato

Paulo Cappelli
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Agência Brasil

BRASÍLIA — Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) tem negociado a ida para o PSL, segundo maior partido da Casa. E pretende não ir sozinho. Maia planeja levar consigo cerca de 40 políticos, a grande maioria filiada ao DEM, seu atual partido. Na lista estão governadores, prefeitos, deputados federais e deputados estaduais com os quais cultivou relação próxima em seus quase cinco anos como presidente da Câmara.

Maia tem dito a aliados que o PSL tem estrutura para ser protagonista na eleição de 2022 e que gostaria de articular uma candidatura para enfrentar o presidente Jair Bolsonaro. Dirigentes do PSL, por sua vez, veem com bons olhos a ida de Maia para a legenda e o possível projeto presidencial. Mas avaliam que o deputado precisaria adotar uma postura menos agressiva do que a que manteve como presidente da Câmara, quando, em muitas ocasiões, protaginizou rusgas com Bolsonaro. Novas conversas entre Maia e representantes do PSL estão marcadas para a semana que vem.

O PSL, que já abrigou o presidente da República, tenta moldar sua imagem como uma legenda liberal, mas de centro. Longe da direita radical; longe da esquerda mais aguda. O PSL quer, portanto, evitar a pecha de um partido de oposição a Bolsonaro — o que não significa concordar em todas as pautas. Outro ponto a ser alinhado no "namoro" Maia-PSL é o candidato à presidência. A amigos, Maia tem citado Luciano Huck como um nome competitivo, mas as ideias políticas do apresentador de televisão ainda são desconhecidas da maioria dos dirigentes e deputados do PSL.

A cúpula do PSL sabe que a ida de Maia para o partido desagradaria à ala bolsonarista da legenda. Mas a avaliação é que, de qualquer forma, boa parte desse grupo deverá deixar a legenda na janela de transferências, migrando para o partido que Bolsonaro indicar.

Relação estremecida no DEM

A boa relação que Maia sempre manteve com ACM Neto, presidente nacional do DEM, ficou abalada nos últimos dias após o dirigente não tomar uma medida mais enérgica para que a legenda apoiasse Baleia Rossi (MDB-SP), cuja candidatura à presidência da Câmara era apoiada por Maia. A aliados, o ex-presidente da Casa tem dito que ficou sem clima no partido após dois terços da bancada preferirem apoiar Arthur Lira (PP-AL), que recebeu o apoio do presidente Jair Bolsonaro, com quem Maia protagonizou embates nos últimos dois anos.

Procurado pelo GLOBO no começo da tarde desta quinta-feira, Rodrigo Maia ainda não retornou.