Maia pede pauta objetiva de Bolsonaro e descarta ir para reunião só para 'fotografia'

DANIELLE BRANT
**ARQUIVO** BRASÍLIA, DF, 17.03.2020: O presidente da câmara deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), informou nesta quarta-feira (18) que não participará da reunião convocada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por estar com agenda extensa, mas cobrou uma pauta mais objetiva do governo e disse que não iria para reunião só "para fotografia".

As declarações foram dadas após reunião de líderes partidários na Câmara para debater o projeto de decreto legislativo que será votado pelos deputados para reconhecer estado de calamidade pública no país em decorrência da crise do coronavírus.

A participação de Maia na reunião era vista por aliados como uma armadilha de Bolsonaro para compartilhar com o presidente da Câmara e o do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), o desgaste de um panelaço marcado para a noite desta quarta contra o governo.

Alcolumbre foi diagnosticado nesta quarta com coronavírus.

Maia afirmou que não poderia estar presente no encontro por causa da agenda extensa do dia. Além do projeto de decreto de calamidade, a Câmara prevê votar uma medida provisória que dá desconto e melhora condições de parcelamento a devedores que resolverem regularizar suas pendências com o governo.

O deputado disse estar à disposição e afirmou que poderia encontrar com o presidente no Palácio do Planalto, na Câmara, no Senado, no Supremo Tribunal Federal e em outro ambiente, desde que com uma pauta definida.

"Nesse momento, o nosso tempo tem que ser focado numa pauta definida. O presidente nos convida para conversar. Temos que organizar a pauta, saber qual é a pauta e, com isso, a gente poder avançar num diálogo objetivo que construa soluções para os brasileiros. Não apenas uma pauta para fotografia", afirmou.

Maia também ressaltou não estar preocupado em dizer que tem um relacionamento bom ou ruim com o presidente.

"O importante nesse momento é que tudo aquilo que o governo encaminhar para a Câmara dos Deputados e que for urgente para salvar vidas e depender do Parlamento brasileiro, da Câmara, e tenho certeza do Senado, a sociedade brasileira, que elegeu o presidente e todos aqueles também que não votaram nele terão por parte do Parlamento total apoio e urgência nessas votações."

O presidente da Câmara elogiou a entrevista coletiva convocada pelo governo nesta quarta para falar sobre as medidas que estão sendo tomadas para conter a disseminação da doença.

"Hoje eu vi uma foto de um governo tentando organizar um enfrentamento à crise. Acho que hoje, talvez pela primeira vez, a gente tenha visto uma foto onde a sociedade fala 'agora sim começaram a se preocupar com a vida das pessoas'", disse.

Apesar do elogio, o presidente da Câmara disse que o governo está "atrasado" no tempo para enfrentar o coronavírus. Ele defendeu reforço na fiscalização de passageiros que chegam de outros países.

"Isso para mim parece uma questão emergencial, como a questão das fronteiras, que o Brasil não fechou todas as suas fronteiras, mas os outros países estão fechando".

O projeto de decreto legislativo reconhece estado de calamidade pública no Brasil em decorrência da crise do coronavírus.

Pelo texto, relatado pelo deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), o Congresso reconhece até 31 de dezembro o estado de calamidade pública no país, que desobriga o governo de observar a meta de resultado primário e a fazer contingenciamento das despesas para cumprir as estimativas iniciais.