Maior cooperativa de café do Brasil bate recorde de faturamento em 2020

MARCELO TOLEDO
·4 minuto de leitura
SÃO PAULO, SP, BRASIL, 22-05-2013: Grãos de café antes de serem moídos, em produção de produtos da cesta básica orgânica, em São Paulo (SP). (Foto: Gabo Morales/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, BRASIL, 22-05-2013: Grãos de café antes de serem moídos, em produção de produtos da cesta básica orgânica, em São Paulo (SP). (Foto: Gabo Morales/Folhapress)

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Maior cooperativa de café do país, a Cooxupé, de Guaxupé (MG), bateu recorde de faturamento em 2020 impulsionada pelo preço da saca do café e pela alta produção em sua área de atuação, em Minas Gerais e São Paulo. As sobras totais e a distribuição de valores aos cooperados também foram recordes.

Em um ano de pandemia, a cooperativa faturou R$ 5,03 bilhões, 19,7% mais que os R$ 4,2 bilhões do ano anterior e viu as sobras alcançarem R$ 325 milhões, ante os R$ 160,7 milhões da safra anterior.

Com o bom desempenho, a distribuição aos produtores associados será de R$ 107 milhões, o que representa um crescimento de 85% em comparação com os R$ 57,8 milhões do ano passado.

"É um paradoxo, a pandemia trazendo tanto transtorno, preocupação demais, mas conseguimos por conta de um ano com bastante quantidade e também qualidade. Isso fez com que alavancasse a cooperativa", disse o presidente da cooperativa, Carlos Augusto Rodrigues de Melo.

A produção dos cooperados alcançou 10,99 milhões de sacas de 60 quilos em 2020, ante as 7,7 milhões do ano anterior, que é considerado um ano de baixa. A cultura é bianual, o que significa que alterna safras grandes e menores. Em 2018, ano de alta, a produção chegou a 9,6 milhões.

"O fator preço contribuiu muito para o recorde de 2020. Os patamares de preço praticados em 2018 e 2020 são bem diferentes. Além disso, tivemos esse volume de café no ano passado e, somado a isso, a participação do cooperado foi maior."

Mas, se 2020 foi marcado por recordes, a safra deste ano deve ser menor que a de 2019, por conta da seca que afetou não só o café, mas as principais culturas agrícolas do país.

A previsão é que a produção dos cooperados alcance 7,49 milhões de sacas, 2,72% menos que as 7,7 milhões de sacas da safra de dois anos atrás, devido à crise hídrica que as lavouras enfrentaram no Sul de Minas, no cerrado mineiro e na região conhecida como média mogiana de São Paulo.

Desde março do ano passado as condições climáticas estavam diferentes nas regiões mineiras, com chuvas abaixo da média e irregulares. A seca, aliada às altas temperaturas entre agosto e outubro, fez com que a planta fosse muito prejudicada.

"A planta precisa de nutrição e controle de pragas e doenças no período correto. Se não tem chuva regular, atrasa a nutrição e ela não tem o desenvolvimento adequado", disse o engenheiro agrônomo Eder Ribeiro dos Santos, coordenador do departamento de geoprocessamento da cooperativa.

O cenário de queda, porém, poderia ser muito pior, já que desde 2019 a Cooxupé ganhou cerca de 2.000 novos cooperados --hoje são 16 mil.

"Esse fator foi muito importante, significa que a adesão de cooperados aumentou. O impacto [da seca] seria maior se tivéssemos só os 14 mil cooperados [de 2019], não foi maior por conta da dinâmica do quadro social. O clima atrapalhou demais, nunca vi um tão desfavorável, principalmente em relação às altas temperaturas", afirmou o presidente.

Além do prejuízo causado à safra deste ano, Melo disse que a crise hídrica não deixa de prejudicar um pouco a safra de 2022, que tem previsão de ser maior por conta da bianualidade.

O volume de café recebido pela cooperativa da cidade mineira representou 17% da produção nacional de café arábica em 2020.

A Cooxupé prevê exportar 6,5 milhões de sacas em 2021, ante as 4,9 milhões de sacas do ano passado.

Ainda segundo Melo, a previsão é que os preços sejam bons neste ano, já que não há estoques de café, ao contrário de anos anteriores.

"O mundo está muito equilibrado em café, produzindo de 170 milhões a 174 milhões de sacas, para consumo entre 167 milhões e 170 milhões. Esse volume de sobra não é praticamente nada. Os preços foram melhores também por conta do aumento dos custos de produção, mas continuam bons."

Nesta quarta-feira (31), a saca de café foi cotada a R$ 708,44, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Há dois anos, a cotação era de R$ 581,56, em valores nominais.