Maior partido da coalizão de governo da Itália racha por divergência sobre ajuda à Ucrânia

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.

O até então maior partido do governo de coalizão da Itália, o Movimento Cinco Estrelas (M5S), rachou nesta quarta após o chanceler Luigi Di Maio abandonar a legenda devido à recusa do grupo de endossar o apoio militar à Ucrânia. A mudança não ameaça o governo do primeiro-ministro Mario Draghi, mas muda o balanço de poder, com a direita radical se tornando o bloco mais volumoso da aliança governista.

Contexto: Premier da Itália promete defender Ucrânia apesar de divergências na coalizão de governo

Crise energética: Cortes russos no fornecimento de gás são um 'ataque' contra Europa, diz Alemanha

A quebra no M5S, sigla que nasceu como antissistema, mas vem se aproximando da centro-esquerda, veio após semanas de atrito entre Di Maio e Giuseppe Conte, o líder do partido. Conte e seus aliados defendem que o governo pare de ajudar militarmente Kiev, apoio alinhado à União Europeia e aos Estados Unidos, e concentre seus esforços no destrave das negociações de paz.

Cerca de 45% dos italianos são contra o envio de armas para a Ucrânia, de acordo com uma pesquisa da televisão estatal Rai1 no final de maio, mas Draghi afirma que seu governo continuará a fornecer ajuda — compromisso reiterado durante uma visita à Kiev na semana passada, ao lado de Emmanuel Macron, presidente da França, e do chanceler alemão, Olaf Scholz. E Di Maio tem sido um dos maiores apoiadores do premier:

— Neste momento histórico, apoiar valores europeus e atlantistas não pode ser considerado errado — disse Di Maio, referindo-se à doutrina cujo nome vem da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar encabeçada pelos americanos.

O chanceler planeja criar um próprio grupo parlamentar, e deve levar consigo ao menos 60 dos 227 deputados do M5S, segundo a agência de notícias Ansa. Em um comunicado, o Cinco Estrelas disse não ter planos de deixar a aliança governista, mas segundo fontes da Bloomberg, Conte cogita abandonar formalmente a coalizão e apoiar o governo apenas quando considerar necessário.

O M5S ficou em primeiro lugar nas eleições de 2018 na Itália, mas desde então caiu drasticamente nas pesquisas. Os números sob a liderança de Conte, há meses, vêm exacerbando as tensões internas no partido — algo ironizado por Di Maio ao deixar a legenda, afirmando que a recusa do ex-aliado em apoiar a Ucrânia manchou a imagem da Itália “sem sequer ter sucesso” em melhorar as perspectivas eleitorais da legenda.

Maio: Rússia corta fornecimento de gás para Holanda e notifica Alemanha e Dinamarca

Reconfiguração de forças: Guerra na Ucrânia remodela mercado de petróleo e fortalece parceria de Rússia e China

As mudanças somam preocupações a Draghi, ex-chefe do Banco Europeu, às vésperas de uma maratona de cúpulas internacionais em que a Ucrânia deve figurar como pauta principal. A primeira é a reunião europeia, na quinta e na sexta em Bruxelas, seguida pelo encontro do G7, na Baviera, nos dias 26 a 28. Nos dias 29 e 30, será a vez da reunião da Otan, em Madri.

Com a Liga como legenda mais volumosa da coalizão, o governo deve ter dificuldade para implementar algumas de suas propostas mais ambiciosas, como uma reforma fiscal a qual o partido se opõe. O poder de Matteo Salvini, líder da sigla e um dos principais nomes da extrema direita europeia, também deve aumentar.

— O governo não pode parar por causa da ruptura no M5S — disse Salvini. — A Liga pede com urgência mais auxílios para fazer frente ao aumento das contas de luz e do combustível. As famílias e empresas não podem esperar.

Maio: Rússia corta fornecimento de gás para Holanda e notifica Alemanha e Dinamarca

Reconfiguração de forças: Guerra na Ucrânia remodela mercado de petróleo e fortalece parceria de Rússia e China

Apesar das divergências no Movimento Cinco Estrelas, Draghi consegui nesta quarta o apoio parlamentar para uma resolução não vinculante que reafirma o compromisso do governo com a ajuda a Ucrânia. Os problemas não devem afetar a sobrevivência do governo até o fim do mandato corrente, em 2023, mas complicarão a vida do premier:

— Vemos o início de uma guerra de guerrilha de baixa intensidade contra o governo antes das eleições gerais do ano que vem — disse à Bloomberg Giorgia Serughetti, analista política na Universidade Bicocca, em Milão. — Ela vai envolver a Liga e o M5S, particularmente, e deixar as ações de Draghi ainda mais desafiadoras, mesmo que uma eleição antecipada seja improvável.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos