Maioria das pequenas empresas do Rio conhece práticas sustentáveis, mas poucas dominam a sigla ESG, aponta Sebrae

Uma pesquisa desenvolvida pelo Sebrae-RJ em parceria com o Portal Integridade, da Insight Comunicação, apontou que embora 67% dos representantes de Empresas de Pequeno Porte (EPPs) entrevistadas no Estado do Rio de Janeiro, conheçam práticas sustentáveis, apenas 42% dominam a sigla ESG. Do inglês, a sigla significa temas relacionados a questões ambientais, sociais e de governança corporativa.

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O estudo, chamado Sondagem ESG, analisou o conhecimento e a valorização da agenda ESG em 390 companhias de serviços, indústria e comércio. Curioso é que, mais da metade delas já adota alguma prática do universo ESG, mesmo sem relacioná-la com o termo.

Entre as empresas que já possuem iniciativas ESG, as principais vantagens percebidas estão ligadas ao aumento de reputação e vendas. Entretanto, 83% das empresas respondentes não identificam o acesso a crédito mais barato como um benefício relacionado.

- A sondagem revela um novo caminho que as EPPs estão tomando, já que durante anos o investimento em questões ambientais, sociais e de governança era visto como uma despesa de baixo retorno para o negócio - diz Aline Barreto, gestora de projetos de sustentabilidade do Sebrae/RJ.

Em relação ao conhecimento e adoção de práticas sustentáveis, o setor de serviços é o mais sensível ao tema. Nele, 74% das empresas têm conhecimento sobre ESG ; 21% desconhecem, mas gostariam de adotar e apenas 5% não têm interesse.

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A indústria vem em segundo lugar, com 67% das EPPs afirmando que conhecem a agenda. Um quarto, porém, diz não ter conhecimento, mas gostariam de ter, e 8% não se interessam. No comércio, apenas 59% têm conhecimento; 30% não têm, mas querem entender; e 11% não demonstram interesse.

Práticas ESG

Com relação às atitudes que as empresas estão tomando, no eixo ambiental, 77% das empresas utilizam sacolas plásticas e 67% compram copos plásticos. Porém, só 37% delas direcionam o lixo para reciclagem e apenas 12% usam energia de fonte solar ou eólica.

Já no eixo social, metade das empresas não adota ações relacionadas à diversidade no quadro de funcionários. De acordo com a pesquisa, apenas 28% das empresas possuem alguma ação relacionada à diversidade feminina na liderança e só 20% têm a principal liderança negra. A maioria (83%) não possui um profissional dedicado ao RH.

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Dentre os fatores da sigla ESG, a governança é o ponto que mais precisa ser trabalhado pelas pequenas, uma vez que 64% não possuem normas internas claras e explícitas e 60% não possuem estrutura organizacional definida. Além disso, apenas 7% possui uma área de governança e só 13%, sistema de prestação de contas das lideranças.

Segundo Mariza Louven, editora do portal Integridade ESG, “O Brasil é um país de pequenas e médias empresas, ou seja, conhecer um pouco mais sobre a realidade ESG desse segmento que move a nossa economia é fundamental, inclusive como contribuição às políticas públicas, de fomento e até a comunicação com esses empreendedores".