Maioria diz que economia influi muito no voto, e que situação pessoal piorou

*ARQUIVO* São Paulo, SP, 08-02-2019: Still Mercado. Calculadora científica. (Foto Gabriel Cabral/Folhapress)
*ARQUIVO* São Paulo, SP, 08-02-2019: Still Mercado. Calculadora científica. (Foto Gabriel Cabral/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A situação econômica do país está sendo determinante para a maioria dos brasileiros decidir em quem votar neste ano —e, para a maior parte dos eleitores, o quadro piorou nos últimos meses.

Segundo pesquisa Datafolha, 53% dos brasileiros consideram que a situação econômica está tendo "muita influência" na sua decisão de voto.

Somados aos que acham que a economia tem "um pouco de influência" (24%) nessa escolha, a importância do tema atinge 77% —enquanto 21% não veem influência alguma.

Nesse contexto, subiu de 46% para 52% (entre levantamento feito em março e agora) o total de brasileiros que consideram que sua situação econômica pessoal piorou nos últimos meses.

A importância atribuída pelos eleitores à economia e a deterioração na percepção da condição pessoal ajudam a explicar o fraco desempenho eleitoral, até aqui, do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo o Datafolha, se a eleição fosse hoje, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceria o pleito de 2022 no primeiro turno, com 54% dos votos válidos, ante 30% de Bolsonaro.

O percentual de votos válidos, que exclui brancos e nulos, é o considerado pela Justiça Eleitoral para declarar o resultado final —são necessários 50% dos votos válidos mais um.

Se não vencer, Bolsonaro será o primeiro presidente a não se reeleger entre todos os que puderam concorrer, desde a redemocratização, a um segundo mandato. Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff se reelegeram.

A pesquisa mostra ainda que cerca de 7 em cada 10 eleitores não alterariam seu voto se a situação econômica do país piorar —ou a de alguns indicadores econômicos.

No caso dos eleitores de Bolsonaro, no entanto, a possibilidade de mudarem o voto devido a uma piora é cerca de dez pontos percentuais maior do que entre os simpatizantes de Lula.

Se a inflação aumentar, por exemplo, 32% dos eleitores do presidente podem mudar o voto. Entre os de Lula, são 23%.

Bolsonaro concorre à reeleição com dois dos principais indicadores econômicos —inflação e desemprego— na casa dos dois dígitos; e com o Banco Central subindo os juros para controlar a escalada dos preços, o que encarece financiamentos ao consumo e desestimula investimentos empresariais.

No acumulado em 12 meses até abril, o IPCA (índice oficial de inflação) ficou em 12,13%, maior nível desde outubro de 2003. Alguns bancos e consultorias consideram que a taxa possa recuar para a faixa de um dígito somente no último trimestre deste ano.

Já o desemprego encerrou o primeiro trimestre em 11,1%, mesmo nível do quarto trimestre de 2021, o equivalente a 11,9 milhões de desocupados.

Cerca de 2 em cada 3 eleitores (66%) avaliam que a situação econômica do país piorou nos últimos meses, mesmo índice captado pela pesquisa em março.

A taxa é mais alta entre as mulheres dos que entre os homens (71% e 61%, respectivamente), entre moradores do Nordeste (72%) e entre os eleitores de Lula (84%, ante 27% entre os simpatizantes de Bolsonaro). Entre os que reprovam o governo Bolsonaro, o índice chega a 91%.

Já a influência da economia na decisão do voto alcança índices mais altos entre os homens do que entre as mulheres (80%, ante 74%), entre os mais jovens (85%) e os mais instruídos (87%).

Para o levantamento, o Datafolha ouviu 2.556 pessoas acima de 16 anos em 181 municípios do país nos dias 25 e 26 de maio. Contratada pela Folha, a pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número BR-05166/2022.

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