Maioria dos brasileiros se sente seguro com o avanço da vacinação no país, diz pesquisa

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SÃO PAULO — O avanço da campanha de vacinação - 57,4% da população está totalmente imunizada -, associado à melhora dos índices da pandemia, incluindo queda consistente e contínua no número de novos casos, internações e óbitos pela Covid-19, permite uma reabertura cada vez maior da economia e uma tentativa de voltar à algum tipo de normalidade, com a retomada de atividades de rotina.

Uma pesquisa realizada pelo Ipec a pedido da Pfizer Brasil e da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), divulgada nesta quinta-feira, revela as expectativas e os aprendizados dos brasileiros para o cenário pós-pandemia.

Em primeiro lugar na resposta sobre quais atividades serão resgatadas neste momento está a realização de encontros mais frequentes com a família e/ou amigos, empatada com a vontade de frequentar espaços fechados, como shoppings, cinemas, teatros, restaurantes, academias e igrejas. Em seguida, com 35% das menções, aparece frequentar espaços abertos como parques, praças, praias; viajar vem em terceiro lugar com 32% e ir a eventos de aglomeração como shows, festas e estádios, por último, com apenas 23%. A realização de cursos presenciais é um objetivo de 18% e apenas 16% querem retomar o trabalho presencial. Ainda há 15% afirmando que já voltaram a realizar todas as atividades normalmente.

Confiança na vacina

Os resultados revelaram que 75% dos brasileiros se sentem muito seguros ou seguros com o aumento na taxa de imunização. As sensações despertadas pela ampliação da vacinação no país são de impacto positivo: esperança está em primeiro lugar com 29% das respostas; seguida por otimismo (24%); e alívio (16%).

A maioria dos entrevistados mostra entender a importância da imunização contra a Covid-19 e afirma que incentivou outros a se vacinarem. Quando questionados sobre os grupos que encorajaram a tomar a vacina, 85% responderam familiares, 61% amigos, 38% colegas de trabalho e/ou funcionários e 36% vizinhos.

Por outro lado, existe uma preocupação com uma nova onda de Covid-19, como está acontecendo na Europa. No levantamento, 86% dos respondentes afirmam ter medo de que isso aconteça por aqui também.

— Esses dados positivos revelam o reconhecimento da população em relação à contribuição da ciência para a saúde em geral. Graças às novas vacinas contra a Covid-19 vidas estão sendo poupadas e podemos retomar aos poucos a nossa rotina. Mas vale lembrar que a pandemia ainda não acabou. Portanto é de extrema importância que as medidas de prevenção ainda sejam mantidas — diz Júlia Spinardi, líder médica da área de vacinas da Pfizer Brasil.

Novos hábitos

Ao todo, 64% das pessoas concordam que, em razão da pandemia, a população está mais consciente sobre hábitos de saúde e higiene para a prevenção de doenças. Entre hábitos adquiridos durante este período, aqueles com maior probabilidade de serem mantidos após o fim da pandemia são o uso do álcool em gel (58%); lavar as mãos constantemente ou ao chegar em algum lugar (55%); o uso de máscaras, mesmo que eventualmente (40%) e distanciamento social, evitar aglomeração e contato físico desnecessário (31%).

— Com o passar do tempo, muitos hábitos serão relaxados e até abandonados, como o distanciamento e a lavagem tão frequente das mãos. Talvez a maior lição que fique será os indivíduos com sintomas gripais terem mais preocupação com o próximo, usando máscaras em locais fechados ou transporte público. A conscientização sobre os riscos para grupos mais vulneráveis deve trazer mudanças de comportamento também — afirma Renato Kfouri, infectologista e diretor da SBIm.

Notícias falsas atrapalham a vacinação

Para a maioria dos participantes (72%), as fake news atrapalham o ritmo de vacinação. Sobre conteúdos relacionados ao assunto em que não há certeza de que sejam verdadeiros, 49% afirmam não compartilhar a informação. Já 46% declaram compartilhar, mas só depois de confirmar sua veracidade em fontes como jornais, sites ou com médicos e profissionais de saúde. Apenas 2% disseram compartilhar mesmo sem saber se é verdade.

Questionados sobre quais são as suas principais fontes de informações sobre vacinação, 60% responderam órgãos oficiais, como Ministério da Saúde, secretarias de saúde, Anvisa, Organização Mundial da Saúde, sociedades médicas ou científicas; seguido de profissionais de saúde, como médicos e enfermeiros (53%) e 36% disseram os veículos de comunicação, como rádio, TV, revista, jornal e internet.

Atualização da carteira de vacinação

A vacinação contra a Covid-19 trouxe à tona a importância de estar com a carteira de vacinação em dia. Questionados sobre o assunto, 91% dos respondentes pretendem checar sua carteira e ver se há necessidade de outras vacinas recomendadas para a sua faixa etária. Para esse grupo que pretende atualizar a carteira, a vacina da gripe é a mais citada, seguidos por hepatite A e B e febre amarela.

Dentro dos 9% que responderam que não pretendem atualizar a carteira de vacinação: 40% afirmam que sua carteira já está atualizada; 21% alegam que já tomaram todas as vacinas na infância e acreditam que isso seja o suficiente; 14% não veem necessidade de se vacinar; 6% não acreditam na eficácia e outros 6% têm medo das reações adversas.

Somam 7% os que citam outros motivos, sem especificar, mesmo percentual não sabem ou preferem não responder à pergunta.

— Ao mesmo tempo que há uma preocupação em atualizar as carteiras, há percentuais consideráveis que refletem a hesitação em se vacinar, com seus diferentes determinantes, os chamados três ‘C’ (confiança, complacência e conveniência) — diz Juarez Cunha presidente da SBIm.

A pesquisa "Vacina. TOMAR para RETOMAR" foi realizada por meio de um questionário online, respondido por 2 mil pessoas com 16 anos ou mais das regiões Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste, entre os dias 19 e 29 de outubro de 2021.

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