Maioria dos candidatos apoiados por Bolsonaro fica fora do segundo turno

Bernardo Mello
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RIO - A maioria dos candidatos apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro nas disputas por prefeituras ficará fora do segundo turno das eleições municipais, de acordo com resultados parciais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a partir do início da noite deste domingo.

Dos seis candidatos a prefeituras de capitais que receberam apoio explícito do presidente em suas lives no Facebook, somente Capitão Wagner (PROS), em Fortaleza, e Marcelo Crivella (Republicanos), que concorre à reeleição no Rio, seguem na disputa até o dia 29 de novembro. No resultado parcial, ambos aparecem atrás de seus prováveis adversários no segundo turno, respectivamente Sarto Nogueira (PDT) e Eduardo Paes (DEM).

Em São Paulo, Recife, Belo Horizonte e Manaus, os escolhidos por Bolsonaro saíram derrotados neste domingo. Nas duas primeiras, os candidatos bolsonaristas caíram na reta final da campanha.

Na capital paulista, Celso Russomanno (Republicanos) liderava no início das pesquisas, em outubro, mas desidratou nos últimos 30 dias e termina a corrida eleitoral fora do segundo turno, que deve ser disputado entre o atual prefeito Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL).

Em Recife, a candidata Delegada Patrícia (Podemos), que foi convidada para uma live de Bolsonaro na última semana, chegou a brigar por vaga no segundo turno no fim de outubro, antes de receber o apoio do presidente. O segundo turno na capital pernambucana será disputado entre João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT).

Na capital mineira, Bruno Engler (PRTB), outro convidado por Bolsonaro para ir a Brasília na última semana, figurava em segundo lugar após 84% das urnas apuradas, com 9% dos votos válidos, distante do atual prefeito Alexandre Kalil (PSD), que tende a ser reeleito em primeiro turno, segundo o resultado parcial.

Em Manaus, o candidato que recebeu apoio explícito de Bolsonaro, Coronel Menezes (PSC), ficou para trás na disputa pelo segundo turno, que ficará entre Amazonino Mendes (Podemos) e David Almeida (Avante). Das seis capitais com candidatos apoiados pelo presidente, Manaus é onde Bolsonaro tem sua melhor avaliação atualmente: 48% dos manauaras avaliam o governo como ótimo ou bom, de acordo com pesquisa Ibope divulgada na última quarta-feira. Lá, contudo, dois candidatos brigaram pelo voto bolsonarista: Menezes e Capitão Alberto Neto (Republicanos), que chegou a anunciar que teria apoio do presidente num eventual segundo turno. Menezes tinha 11,3% dos votos válidos, ante 7,8% para Neto, com 99% das urnas apuradas.

No Rio, onde a aprovação de Bolsonaro caiu para 28% na última semana, segundo o Datafolha, Crivella figurava com 21% dos votos válidos até as 23h, desempenho semelhante ao apontado pela pesquisa boca de urna do Ibope. Na capital fluminense, 95% dos votos já foram apurados. Eduardo Paes (DEM) aparece à frente, com 37% dos votos válidos.

Em São Paulo, onde o Datafolha aponta que 23% dos eleitores consideram o governo Bolsonaro ótimo ou bom, Russomanno termina a corrida eleitoral muito aquém deste patamar, sugerindo que o presidente não conseguiu transferir seu capital político para o aliado.

Bolsonaristas 'assumidos'

As derrotas do bolsonarismo não se limitaram aos candidatos com apoio explícito do presidente. Das 25 capitais que tiveram disputas neste domingo, e nas quais pelo menos um candidato buscou se associar à imagem de Bolsonaro durante a campanha, independentemente de ter apoio explícito, só em três - Rio, Fortaleza e Belém, com Delegado Erguchi (Patriota) - houve avanço ao segundo turno de um bolsonarista "assumido".

Em Vitória e Aracaju, candidatos ligados às forças policiais que avançaram para o segundo turno - Delegado Pazolini (Republicanos) e Delegada Danielle Garcia (Cidadania), respectivamente -, não se associaram a Bolsonaro. Em São Luís, Eduardo Braide (Podemos) também evitou se aproximar a Bolsonaro e não acompanhou o presidente em visita recente à capital maranhense, organizada por aliados.

Bolsonaro chancelou um total de 13 candidatos a prefeito, somando capitais e cidades do interior. Neste grupo, apenas o ex-senador Mão Santa (DEM), candidato à reeleição em Parnaíba (PI), e Gustavo Alves (PSL), em Ipatinga, figuravam na liderança em seus municípios nas parcias divulgadas até as 22h50 deste domingo. O bolsonarista Ivan Sartori (PSD), em Santos, mantinha chance de disputar o segundo turno com cerca de metade das urnas apuradas até as 23h. Sartori figurava com 18,6% nesta parcial, contra 50,4% para Rogério Santos (PSDB).