Maioria dos homens mortos na chacina do Rio não tinha mandado de prisão

Divone Ferreira chora pela morte da filha Gabrielle Ferreira da Cunha, 41. A cabelereira foi morta com um tiro durante operação do Bope na Vila Cruzeiro, Rio de Janeiro. (Foto: REUTERS/Lucas Landau)
Divone Ferreira chora pela morte da filha Gabrielle Ferreira da Cunha, 41. A cabelereira foi morta com um tiro durante operação do Bope na Vila Cruzeiro, Rio de Janeiro. (Foto: REUTERS/Lucas Landau)

Das 21 pessoas mortas na chacina da Vila Cruzeiro que já foram identificadas pela Polícia Civil, 16 não tinham mandado de prisão em aberto. A informação consta no site do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). De acordo com a Polícia Civil, 23 pessoas morreram na operação, que ocorreu na terça-feira (24), sendo 22 homens e uma mulher. A informação é contestada pelas unidades de saúde e pela Polícia Militar que informaram que houve 26 mortes — algumas pessoas chegaram a ser atendidas, mas não resistiram.

Apenas uma das 23 vítimas confirmadas pela Polícia Civil ainda não foi identificada até a tarde desta sexta-feira (27). Apesar de identificado, Anderson de Souza Lopes não teve seus dados completos divulgados, o que impede o conhecimento sobre mandado prévio.

Gabrielle Ferreira da Cunha, 41, foi a única mulher morta na ação. Ela foi atingida por uma bala dentro de casa, na Chatuba — fora do local onde as forças de segurança agiram.

O ex-militar da Marinha Douglas Costa Inácio Donato, de 23 anos, foi um dos mortos na operação. Contra ele não pesava nem mandado em aberto e nem passagem pela polícia. Ele era pai de um bebê de dois meses e trabalhava numa loja de calçados. De acordo com o pai do rapaz, Douglas tinha saído de uma festa com amigos de infância quando foi baleado. Já contra Mauri Edson Vulcão Costa havia um pedido de prisão, por tráfico de drogas, aberto desde dezembro de 2018, na comarca de Abaetetuba (PA). Ele também era apontado como uma das lideranças de um braço do Comando Vermelho no Norte do país.

A ação

A operação realizada pelo Bope em conjunto com a PRF na última terça-feira (224) tinha como objetivo, segundo os agentes, impedir movimentos de criminosos da Vila Cruzeiro, na zona norte, para a Rocinha, na zona sul.

O comandante do Bope, Uirá do Nascimento Ferreira, afirmou em entrevista coletiva na última terça-feira ( 24) que a operação havia sido planejada há meses, mas que ocorreu em "caráter emergencial" e que "não tinha o objetivo de cumprir mandados de prisão". Já a PRF alegou, em nota, que atendeu a um pedido de apoio para o cumprimento de mandados. O MPF (Ministério Público Federal) abriu um procedimento investigatório criminal para apurar possíveis violações cometidas por policiais.

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