Maioria do STF diz que tributação de IR e contribuição social sobre taxa Selic é inconstitucional

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BRASÍLIA — A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional a incidência do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre a taxa Selic recebida pelo contribuinte na devolução de tributos indevidos. Na prática, isso acontece quando um contribuinte paga o imposto mas depois uma decisão judicial reconhece que não deveria ter pago, o valor volta para o contribuinte, corrigido, diretamente ou por meio de compensação.

A decisão dos ministros terá repercussão geral, isto é, servirá de referência para julgamento de casos semelhantes em outras instâncias da Justiça. Por isso, a previsão de especialistas é de que a tese firmada pelo Supremo tenha repercussão no mercado — ainda não está claro, contudo, qual é o valor deste impacto econômico. Além disso, o entendimento definido pela Corte representa uma derrota para o governo, que fica impedido de tributar nestes casos.

O caso analisado pelo Supremo é um recurso em que a União questiona uma decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) que entendeu que o Imposto de Renda não pode incidir sobre os juros de mora, dada sua natureza indenizatória, nem sobre a correção monetária, uma vez que esta não consiste em acréscimo patrimonial. O mesmo entendimento sobre o IR foi estendido CSLL.

Apesar do placar, o julgamento, que ocorre no plenário virtual da Corte, só terminará à meia-noite desta sexta-feira. No plenário virtual, os ministros postam seus votos escritos, sem a necessidade do encontro físico.

Até a tarde desta sexta, Toffoli havia sido acompanhado pelos ministros Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber e Luiz Fux, presidente da Corte. Apenas o ministro Nunes Marques ainda não votou.

Para o relator, "os juros de mora estão fora do campo de incidência do imposto de renda e da CSLL, pois visam, precipuamente, a recompor efetivas perdas, decréscimos, não implicando aumento de patrimônio do credor".

O ministro Gilmar Mendes foi o único que votou em sentido contrário, por entender que a matéria é não é constitucional e deveria ser julgada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em sua manifestação, no entanto, afirma que, se os demais ministros mantiverem o entendimento do relator, também será contrário à cobrança.

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