Maioria tem medo de agressão por motivos políticos, aponta Datafolha

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 04.03.2016 - Manifestantes anti e pró PT se confrontam em frente à entrada de autoridades do aeroporto de Congonhas, em SP. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 04.03.2016 - Manifestantes anti e pró PT se confrontam em frente à entrada de autoridades do aeroporto de Congonhas, em SP. (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A maioria dos eleitores diz ter medo de sofrer agressões por motivos políticos, aponta pesquisa Datafolha feita sobre as perspectivas do brasileiro para as eleições.

O levantamento foi encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e pela Raps (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade) e teve dados coletados pelo Datafolha dos dias 3 a 13 de agosto.

Questionados se estão com medo de serem "agredidos fisicamente pela sua escolha política ou partidária", 67,5% dos entrevistados responderam que sim. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Foram ouvidas 2.100 pessoas em 130 municípios pelo país.

A atual campanha tem sido marcada por episódios de violência política, como o assassinato a tiros do tesoureiro municipal do PT Marcelo Arruda em Foz do Iguaçu (PR), em julho, durante sua festa de aniversário. O STF (Supremo Tribunal Federal) inclusive determinou no início do mês restrições relacionadas à posse de armas e de munições em razão do risco para o período eleitoral.

A pesquisa encomendada pelas duas entidades também mostra que 3,2% dos entrevistados sofreram ameaças por motivos políticos no mês anterior. O objetivo da sondagem é dimensionar o apoio à democracia no país e à agenda de direitos civis e humanos.

Com base em uma sequência de questionamentos aos entrevistados, os responsáveis pela pesquisa elaboraram três índices para aferir o respaldo a determinadas visões: propensão à democracia, propensão ao apoio a posições autoritárias e propensão ao apoio à agenda de direitos civis, humanos e sociais.

Os resultados se baseiam em perguntas nas quais os entrevistados dizem se concordam ou não com afirmações como: "A democracia é preferível a qualquer outra forma de governo", "Não há racismo no Brasil" e "Os homens podem ser divididos em duas classes: os fracos e os fortes".

O respaldo ao autoritarismo caiu em relação à edição anterior da pesquisa, realizada em 2017. Ao tabular as respostas, as entidades apontaram que o índice de propensão ao apoio a posições autoritárias estava em 8,1 pontos há cinco anos e agora está em 7,29. A escala vai de 0 a 10.

Os pesquisadores afirmam que discursos autoritários perderam força especialmente no segmento dos jovens de 16 a 24 anos em relação ao levantamento de cinco anos atrás.

O estudo ainda correlaciona o apoio ao autoritarismo a quem tem mais medo da violência urbana, tema frequente de campanhas eleitorais. O receio da violência, aliás, subiu em relação à pesquisa anterior.

O apoio à democracia aferido pelas entidades também é considerado alto, com índice de 7,25. Esse enfoque específico não tinha sido pesquisado em 2017.

Na mais recente sondagem, 88,1% disseram que o eleito deve tomar posse em 1º de janeiro. Para 89,3%, é essencial "escolher seus líderes em eleições livres e transparentes". A pesquisa aponta ainda que a propensão ao apoio à democracia aumenta de acordo com o nível de escolaridade. Indivíduos com ensino fundamental incompleto "são os menos propensos" a apoiar esse modelo.

No campo social, a propensão ao apoio à agenda de direitos civis, humanos e sociais tinha índice de 7,8 em 2017 e agora está em 7,6. Nessa parte do estudo, 82% dos entrevistados se disseram favoráveis à demarcação de terras indígenas, iniciativa paralisada na atual legislatura por Jair Bolsonaro (PL).

A maioria dos entrevistados também rechaça outra bandeira do presidente da República, a do armamento. Dizem que armar a população não aumentará a segurança 66,4% dos entrevistados.

Segundo as entidades, as mulheres tendem a apoiar mais a agenda de direitos sociais do que os homens.

Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, diz que o levantamento mostra que "vivemos em uma sociedade permeada pela violência extrema e pelo medo". "A pesquisa reforça a centralidade que a segurança pública precisa ter no debate político."

Mônica Sodré, diretora-executiva da Raps, afirma que, em meio a ataques a instituições, como ao sistema eleitoral, a população mostra que não concorda com essa ofensiva. "O dado de que 90% dos brasileiros confiam no processo e acreditam que [o eleito] deve ser empossado em 1º de janeiro é muito positivo."

O Fórum Brasileiro é uma ONG criada em 2006 para tratar de assuntos e políticas relacionados à gestão da segurança pública no país. A Raps também é uma organização não governamental e apoia lideranças políticas de diferentes posicionamentos ideológicos, incluindo congressistas no exercício de mandato.