Mais de 300 estudantes libertados na Nigéria são recebidos pelas autoridades

Aminu ABUBAKAR, con John OKUNYOMIH en Katsina City
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Estudantes liberados após seu sequestro, reivindicado pelo grupo jihadista Boko Haram, em Kankara, Nigéria

Mais de 300 meninos dos mais de 500 sequestrados há uma semana no noroeste da Nigéria, em um ato reivindicado pelos jihadistas do Boko Haram, e libertados na noite de quinta-feira (17), foram recebidos nesta sexta pelas autoridades antes de encontrarem suas famílias.

As circunstâncias de seu sequestro continuam incertas.

Descalços, com o rosto cheio de poeira e exaustos, os meninos foram levados para o gabinete do governador de Katsina, capital da província de mesmo nome, no nordeste do país.

"Vocês sofreram fisicamente, mentalmente, psicológicamente, mas saibam que nós também e seus pais ainda mais", declarou o governador, Aminu Bello Masari, aos meninos reunidos na assembleia local.

"Para esses estudantes, este episódio fará parte de sua história e de seu caminho para a idade adulta, estou certo de que se lembrarão por toda a vida", acrescentou.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu nesta sexta-feira (18) a "libertação imediata e incondicional" dos meninos que permanecem sequestrados no noroeste da Nigéria.

Guterres "agradece as rápidas medidas tomadas pelas autoridades nigerianas para salvar os meninos e pede para redobrar os esforços para proteger as escolas e os centros educacionais do país", disse em seu comunicado.

Enquanto isso, suas famílias se reuniam ansiosas em Kankara, cidade onde foram sequestrados, à espera da chegada dos rapazes, observaram jornalistas da AFP.

"Quando meu filho me chamou ontem e me disse 'mamãe, mamãe, sou eu', eu disse 'obrigada meu Deus, obrigada meu Deus', estava tão feliz!", conta uma mãe, cujo filho tem 18 anos.

Pouco antes, um conselheiro do presidente havia anunciado a libertação dos meninos, sem fornecer o número extato. Um conselheiro do governo local, Ibrahim Katsina, indicou que 344 alunos foram libertados.

"É um grande alívio para todo o país e a comunidade internacional", tuitou o presidente nigeriano Mahammadu Buhari.

Na sexta-feira passada, centenas de menores de idade foram sequestrados por homens armados em uma escola para rapazes de Kankara. O sequestro foi reivindicado pelo Boko Haram, o grupo extremista que atua no nordeste do país, ou seja, a centenas de quilômetros do local.

Na quinta-feira, os jihadistas do Boko Haram divulgaram um vídeo dos estudantes sequestrados. Com o rosto coberto de poeira e arranhões, um jovem afirmou fazer parte dos 520 estudantes sequestrados pela "gangue de Shekau", o nome do líder histórico de Boko Haram.

Seu número exato também continua incerto. Inicialmente, as autoridades anunciaram 333 alunos desaparecidos e, na manhã de quinta-feira, falavam de 400.

- Coordenado por grupos armados -

No vídeo, o Boko Haram afirmava, por intermédio deste adolescente de em torno de 14 anos, que tinha em seu poder 520 estudantes e que matou alguns deles. Os meninos pareciam exaustos.

Divulgadas pelos canais tradicionais do grupo, as imagens foram gravadas parte em inglês e parte na língua hausa, falada principalmente no norte da Nigéria.

Segundo informações da AFP, este sequestro em massa foi coordenado por grupos armados, alguns deles às ordens do Boko Haram, que aterrorizam a população no norte da Nigéria e realizam sequestros e roubos de gado.

De acordo com vários depoimentos de jovens que conseguiram escapar, os reféns foram divididos em vários grupos na noite do sequestro.

Uma fonte de segurança próxima ao caso afirmou que os estudantes que apareciam neste vídeo eram os que estavam detidos por Awwualun Daudawa, que responde diretamente às ordens do Boko Haram. Os outros podem ler libertados após as negociações entre os sequestradores e o governo local.

Este ataque lembra o sequestro de mais de 200 meninas em Chibok em 2014, e é um golpe para o presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, originário do estado de Katsina.

Boko Haram e seu braço dissidente, o grupo Estado Islâmico na África Ocidental (Iswap), ativos no nordeste da Nigéria, causaram mais de 36.000 mortes em dez anos de conflito. Dois milhões de pessoas continuam sem poder voltar para casa.

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