Mais de 40% da água tratada é perdida antes de chegar aos brasileiros

Uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Trata Brasil mostrou que 40,1% da água tratada nos reservatórios nacionais é perdida antes de chegar aos brasileiros. Segundo o estudo, a quantidade perdida nos sistemas de distribuição poderia abastecer 66 milhões de brasileiros, valor mais do que suficiente para suprir a necessidade das quase 35 milhões de pessoas que, até hoje, não possuem acesso à água em casa nem para lavar as mãos.

A presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Siewert Pretto, comenta que a pesquisa leva em consideração os valores de água produzidos e os volumes que realmente chegam nos hidrômetros. O estudo calcula o índice de perdas na distribuição, que é composto pelos vazamentos que ocorrem nas tubulações, pelos furtos e erros de medição dos hidrômetros.

- A pesquisa mostra que 40,1% de toda água tratada é perdida, mesmo antes de chegar na casa das pessoas. Desse número, aproximadamente 60% são vazamentos - e esse volume perdido poderia atender 66 milhões de brasileiros - e os 40% restantes são perdas de faturamento, perdas que ocorrem por furtos ou subtração de hidrômetros, explica Pretto.

Lançada nesta quarta-feira (01), a pesquisa chamada de "Perdas de Água potável: Desafios para disponibilidade hídrica e avanço da eficiência do saneamento básico no Brasil", foi realizada a partir de dados públicos do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) e do Ministério do Desenvolvimento Regional, tendo com base o ano base 2020, e contemplando uma análise das 27 Unidades da Federação.

O estudo mostra que a porcentagem perdida nos sistemas de distribuição representa um volume equivalente a 7,8 mil piscinas olímpicas de água tratada. A quantia conseguiria atender, por quase três anos, aos mais de 13 milhões de brasileiros que moram em favelas.

Os dados do estudo também mostram que o índice de Perdas na Distribuição piorou entre os anos de 2016 e 2020. Em 2016, o percentual de perda foi de 38,1% do total de água tratada. Em 2020, como mostrado, o número chega a 40,1%.

— O principal motivo desse agravamento que aconteceu tanto na perda de distribuição, quanto na de faturamento, é a falta de investimento na modernização dos sistemas. No caso da perda de faturamento, pode ser por idade média avançada do parque de hidrômetros e também devido ao aumento de fraudes, que é colaborado pela falta de fiscalização, aponta a presidente executiva do Instituto Trata Brasil.

Perdas no faturamento

A pesquisa mostra que a quantidade registrada no indicador perdas de água nos sistema de distribuição é, praticamente, o que se perde em termos financeiros avaliados no Índice de Perdas de Faturamento Total.

O indicador financeiro mostra que os números de perda no faturamento chegam a 40,9%. Se houvesse uma redução desse dado para um percentual de 25%, a movimentação permitiria "um volume suficiente para atender a aproximadamente 40,4 milhões de brasileiros em um ano – número equivalente aos brasileiros historicamente sem acesso.

Regiões do País

Quando olhamos regionalmente, os indicadores de perdas de água não diferem de outros indicadores de acesso ao saneamento básico. A região Norte do país, detentora dos piores índices desses aspectos, também registra o maior índice de perdas d'água , com 51,2% - o que configura que a região perde mais da metade da água potável produzida. Não muito atrás, a região Nordeste também demostra alta perda, com 46,3%.

A diretora Siewert Pretto aponta que estados dessas regiões acabam tendo muitos problemas em relação à questão de perdas d'água pela falta de investimento e planejamento dos governantes.

— Muitas vezes, não se tem um plano de saneamento básico bem estruturado, não é aportada a quantidade de investimento financeiro necessária para fazer a manutenção e , muitos menos, investido em inovação para que haja o efetivo controle dessas redes. Falta investimento, gestão e foco, observa Pretto.

Na pesquisa, quanto à análise de estados, foram considerados dois indicadores: Índice de Perdas na Distribuição e Índice de Perdas por Ligação. Observou-se que o estado de Goiás foi o que apresentou a menor perda e o Amapá, a maior. Outras 15 Unidades da Federação apresentam indicadores de perdas piores que a média nacional, o que, segundo a análise, é muito ruim - considerando que a média do Brasil já é preocupante.

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