Mais de 40% dos candidatos apoiados por Bolsonaro utilizaram fundos públicos em suas campanhas

Daniel Gullino, Gustavo Maia e Naira Trindade
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BRASÍLIA — Mais de 40% dos candidatos apoiados pelo presidente Jair Bolsonaro usaram fundos públicos para pagar suas campanhas eleitorais. Bolsonaro já se disse contra o uso de dinheiro público em eleições e estimulou a população a não votar em candidatos que bancassem suas campanhas dessa forma.

Das 58 pessoas que tiveram suas candidaturas divulgadas em transmissões ao vivo de Bolsonaro, 24 declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terem utilizado o fundo eleitoral ou o fundo partidário (41% do total). Ao todo, estes candidatos já usaram R$ 10,4 milhões em dinheiro público. Por outro lado, 23 dos apoiados por Bolsonaro não utilizaram nenhum dos dois fundos e 11 ainda não apresentaram prestação de contas ou estão com a prestação zerada.

O fundo eleitoral tem valor de R$ 2 bilhões e é dividido em anos de eleição entre todos os partidos, de acordo com a proporção de deputados eleitos na última eleição. Bolsonaro ameaçou vetar a criação do fundo, mas acabou cedendo. Na época, contudo, estimulou a população a não votar em candidatos que fizessem uso dele. Agora, 20 candidatos apoiados pelo presidente usaram recursos do fundo.

Já o fundo partidário é distribuído todo anos às legendas, também de forma proporcional. Neste ano, foram repassados R$ 959 milhões. O objetivo é custear atividades rotineira dos partidos, mas os recursos também podem ser utilizados na eleição. Três dos candidatos apoiados por Bolsonaro declararam ter utilizado o fundo nestas eleições.

Quase 80% dos R$ 10,4 milhões utilizados até agora foram declarados por cinco candidatos a prefeito apoiados pelo presidente. O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), lidera a lista com R$ 1.971.785,11 do fundo eleitoral, seguido de perto pela Delegada Patrícia Domingos (Podemos), candidata no Recife, que declarou R$ 1.964.900 do fundo.

Completam a lista Capitão Wagner (PROS), no Recife, com R$ 1,4 milhão; Oscar Rodrigues (MDB), de Sobral (CE), com R$ 1,2 milhão e Celso Russomanno (Republicanos), candidato em São Paulo, que declarou R$ 1,2 milhão do fundo eleitoral.

Os 24 candidatos são de 14 partidos. A legenda que mais gastou com candidatos apoiados por Bolsonaro foi o Republicanos: R$ 3,5 milhões, distribuídos entre cinco candidatos. O vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) é um deles: ele recebeu uma doação da campanha de Crivella, no valor de R$ 22 mil, que teve origem no fundo. Após o fato ser divulgado pela imprensa, Carlos disse que não poderia devolver o dinheiro, mas se comprometeu a fazer uma doação no mesmo valor para "entidades que promovam a caridade ou as pautas de nossos eleitores".