Mais de 5 toneladas de peixes mortos são recolhidas de lagoa no Rio

O trabalho, que vai seguir nos próximos dias, vem sendo feito com dez garis

Foram removidas mais de cinco toneladas de peixes mortos da Lagoa (Foto: Divulgação/Comlurb)
Foram removidas mais de cinco toneladas de peixes mortos da Lagoa (Foto: Divulgação/Comlurb)

Equipes de limpeza da prefeitura do Rio de Janeiro removeram mais de cinco toneladas de peixes mortos do Canal de Marapendi, na Barra da Tijuca, em dois dias. Ao todo, de sexta-feira (13) até o final da manhã deste sábado (14), foram recolhidas 5,4 toneladas, segundo a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana).

O Inea (Instituto Estadual do Ambiente) informou que, na sexta-feira, quando milhares de animais apareceram mortos, foram colhidas amostra de água para análise. O órgão disse ainda que o prazo para os resultados laboratoriais é de cinco dias.

O Inea é o responsável pela gestão ambiental da Lagoa de Marapendi e demais lagoas da Barra da Tijuca e de Jacarepaguá. A Comlurb faz a remoção apenas quando os resíduos chegam às areias das praias.

O trabalho, que vai seguir nos próximos dias, vem sendo feito com dez garis. A companhia também precisou usar redes e um caminhão compactador para transportar os componentes e resíduos, acumulados na encosta do canal desde sexta-feira.

O biólogo Mário Moscatelli responsável por diversas pesquisas ambientais das lagoas e baías da cidade, afirmou à reportagem que há um volume estimado de 20 toneladas de peixes mortos no canal. "O volume é muito maior do que o recolhido pela Comlurb porque muito peixe se acumulou nos manguezais onde a empresa de limpeza urbana não tem acesso", disse.

Para o especialista, essa mortandade pode estar ligada às fortes chuvas dos últimos dias e a alta temperatura: "A lagoa vive no seu limite, por causa da poluição e problemas de saneamento na região, e qualquer alteração adicional pode gerar esse tipo de situação".

De acordo com Moscatelli, a mortandade dos peixes é relacionada à diminuição do oxigênio na água, que, por sua vez, está ligada à decomposição de matéria orgânica (esgoto).

"Isso é uma pequena parte da consequência histórica de 40 anos de esquecimento em políticas de saneamento e ordenação do solo dessas lagoas. A grande expectativa é para os próximos cinco anos com intervenções programadas nas lagoas da região e na ampliação e recuperação do sistema de saneamento", disse.

Em nota, a Iguá, responsável pelas questões de saneamento e passivos ambientais do sistema lagunar da região, disse que se solidariza com a situação e que já realizou investimentos que superam R$ 90 milhões nos primeiros 9 meses de 2022.

"O contrato de concessão estabelece ainda investimentos de R$250 milhões em ações que contribuirão para a revitalização do Complexo Lagunar da Barra da Tijuca e Jacarepaguá. A concessionária também destinará R$ 126 milhões para implantação de coletores de tempo seco que captarão esgoto despejado irregularmente na rede de drenagem e outros R$ 305 milhões para atendimento de áreas irregulares urbanizadas. Ao longo dos próximos anos, a previsão é de que a Iguá instale outros 50 pontos de captação em coletor", informou.