Mais da metade dos empreendedores do Rio não conseguem vender on-line, aponta pesquisa do Sebrae

Pollyanna Brêtas
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Embora a pandemia de Covid-19 tenha provocado fechamento de lojas físicas e aumento do comércio on-line, 58% das empresas fluminenses ainda não estão vendendo seus produtos pela internet. De acordo com um levantamento do Sebrae, realizado com empreendedores do estado do Rio, dos pequenos negócios que apostaram nos canais digitais, 28% calculam que as vendas on-line representaram até 50% de todo o faturamento. Já 14% disseram que esse modelo correspondeu a mais da metade da renda.

O estudo levou em consideração o primeiro trimestre do ano e o início do mês de abril, em comparação com o mesmo período do ano passado. Para Antonio Alvarenga, diretor-superintendente do Sebrae Rio, a adaptação ao varejo on-line e a recuperação das finanças dos negócios são os dois grandes desafios dos empreendedores hoje.

— Os problemas para começar a operar pela internet são os mais diversos. Não basta só ter WhatsApp funcionando. Oferecer serviços on-line exige infraestrutura. Alguns negócios não têm dinheiro para implementar, outros não conseguem adaptar seus produtos, outros oferecem serviços que exigem atendimento presencial. Além disso, é preciso lidar com tecnologia e dominar as ferramentas — observa ele.

No momento, 59% das empresas implementaram mudanças para continuar funcionando. Apesar das adaptações realizadas, 79% alegaram diminuição no faturamento, 9% permaneceram com o rendimento igual, 7% acreditam que foi melhor que o ano passado e 5% não souberam responder.

Para ajudar os empreendedores a vender pela internet, o Sebrae oferece um curso para apresentar técnicas e ferramentas de venda no digital e melhorar a performace da empresa.

O levantamento feito pelo Sebrae Rio, entre os dias 6 e 8 de abril, contou com a participação de 597 donos de pequenos negócios fluminenses demonstrou que essa não é a única dificuldade encontrada pelas empresas.

O grande desafio de 30% dos empreendedores no Estado do Rio de Janeiro é equilibrar as finanças. Para 24% dos empresários, manter o volume de vendas é uma preocupação, seguido do planejamento das atividades diante da crise (21%). Na sequência, 11% dos entrevistados informaram que sua aflição é como manter o seu quadro de funcionários, 7% têm receio sobre a adaptação ao atendimento digital e 5% seguem com dúvidas de como conciliar o atendimento digital com o presencial.

Desde o início da crise, os pequenos negócios passam por dificuldades, segundo o Sebrae. No Estado do Rio de Janeiro, 45% dos empreendedores não utilizaram nenhuma medida governamental para conter as perdas dos empresários, como suspensão de contratos de trabalho dos empregados e redução de jornada dos funcionários, ou linhas de crédito especiais, entre outros.

Cerca de 15% reduziram ou suspenderam o contrato de trabalho, 14% acessaram linhas de crédito com condições especiais, 12% adiaram o pagamento dos impostos, 4% usaram o auxílio emergencial da Prefeitura para pagamento de salário dos funcionários, 3% aproveitaram a flexibilização de regras para exercício de atividades e 2% conseguiram empréstimos a juro zero.

Para apoiar os pequenos negócios, os empreendedores acreditam que algumas medidas deveriam ser implementadas novamente ou intensificadas pelo governo. 28% esperam novos projetos financeiros como auxílio emergencial e empréstimos a juro zero, 21% querem operações relacionadas ao crédito, 20% desejam medidas tributárias, 14% aguardam ações de estímulo ao consumo e 11% torcem por flexibilização das regras trabalhistas neste período de crise.