Mais da metade dos municípios do Rio de Janeiro não teve mortes por Covid-19 no fim de setembro

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Pela primeira vez desde o início da divulgação semanal do mapa de risco da Covid-19 pela Secretaria estadual de Saúde (SES), em julho de 2020, todos os municípios do Rio estão com risco baixo de transmissão da doença (bandeira amarela). Além disso, no fim de setembro, mais da metade das cidades fluminenses não registrou mortes pelo coronavírus. Na capital, historicamente responsável pela maioria dos casos e óbitos no estado, as autoridades avaliam que a situação da pandemia está “controlada”, algo inédito desde a chegada da doença ao município.

Os indicadores são mesmo um alívio após quase 20 meses de pandemia e 67.342 mortes. Quarenta e oito das 92 cidades do estado não registraram óbitos causados pela doença no período de 19 a 25 de setembro, que corresponde à semana epidemiológica 38, como mostram números extraídos do painel da SES. Além disso, durante o mês que se passou entre as semanas 34 e 38 (22 de agosto a 25 de setembro), 16 municípios ficaram livres de mortes pelo coronavírus.

Segundo o 52º mapa de risco do estado, o Rio tinha ontem “a melhor avaliação epidemiológica” desde a primeira edição do estudo: uma queda de 40% nas novas internações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) entre as semanas epidemiológicas 37 (de 12 de setembro a 18 de setembro) e 39 (de 26 de setembro a 2 de outubro). Nesse período, também houve uma redução no número de mortes de 39%. O recuo de aproximadamente duas semanas para a análise dos indicadores se deve a possíveis atrasos na atualização dos dados.

Na avaliação do secretário estadual de Saúde, Alexandre Chieppe, os números positivos resultam do efeito da vacinação. Entre as semanas epidemiológicas 37 e 39, foram aplicados mais de dois milhões de doses das vacinas no estado. “Importante explicar que o nosso estudo não avalia apenas internações e óbitos”, informou o secretário.

A capital está no mesmo caminho. O número de novas internações por SRAG caiu 65% nas unidades públicas nos últimos dois meses, de acordo com o 41° boletim epidemiológico da cidade. A queda sustentada — que se observa ainda em indicadores como casos confirmados, óbitos e atendimentos na rede pública — motivou o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, a afirmar ontem que, “pela primeira vez em toda a pandemia, a situação está controlada” no município.

— É a primeira vez desde o início da pandemia que podemos dizer que temos uma situação controlada. Temos uma queda nos indicadores que se sustenta há sete semanas. E os números de casos e internações estão caindo cada vez mais — disse.

Todas as 33 Regiões Administrativas da cidade seguem com avaliação de risco “moderada” para a transmissão da doença, a mais baixa de três níveis de classificação, pela quarta semana consecutiva. O prefeito Eduardo Paes pontuou que o atual panorama é o melhor que se pode ter durante uma pandemia.

— Mais baixo que isso, só no fim da pandemia. Ansiamos pelo momento em que não precisaremos divulgar esse mapa, mas ainda vai demorar um pouco — disse.

Especialistas corroboram a avaliação de que o cenário epidemiológico do Rio melhorou consideravelmente. Mas, para o epidemiologista Diego Xavier, da Fiocruz, a prefeitura deveria aguardar até que a queda nos indicadores se interrompa naturalmente ao atingir um patamar mínimo, para dizer que a epidemia de SARS-COV-2 no Rio está sob controle.

— Só vamos ter a epidemia controlada quando chegarmos a um estágio endêmico. Ou seja, a doença não vai sumir. Ela vai continuar acontecendo num nível basal aceitável, e aí vamos ter que discutir o que é aceitável, quantas pessoas “podem” morrer num determinado período de tempo — explica.

O epidemiologista Leonardo Bastos, um dos desenvolvedores do Boletim InfoGripe, também da Fiocruz, disse que o fato de muitos municípios do Rio não terem registrado mortes por Covid-19 no período de uma semana se deve à vacinação.

— Com o nível de circulação de pessoas que se vê atualmente, era de se esperar uma subida proporcional nos indicadores, o que, graças à vacinação, não se confirmou — avalia.

Os bons resultados se concentram em municípios do interior. Alguns já começam a reconverter leitos e desmobilizar recursos cuja finalidade era dar suporte à demanda gerada pela pandemia. É o caso de Quissamã, no Norte Fluminense, que completou, na tarde de quarta-feira, 72 horas sem internações por SRAG.

Unidade de referência para o tratamento da Covid-19 na cidade, o hospital Mariana Maria de Jesus já chegou a ter 17 leitos de UTI e 20 leitos de enfermaria exclusivos para o atendimento a portadores da doença, mas agora só tem dez de cada. Diretor da unidade, o médico Francisco Oliveira atribui a mudança a diferentes fatores.

— O que realmente faz a diferença é a prevenção: a máscara, o distanciamento, além, é claro, da vacinação. Estamos colhendo agora frutos da ampla campanha de imunização e, mais do que isso, de conscientização das pessoas — diz.

A vacina também esvaziou UTIs e enfermarias na capital, que registrou ontem 245 internações, o menor número desde abril de 2020, semanas após o início da pandemia. Com a redução nas hospitalizações, a maior unidade de referência no tratamento da Covid-19 do Estado do Rio, o Ronaldo Gazolla, foi reconvertida num hospital geral no fim de setembro.

— Acho que, se os leitos estiverem de fato vazios, é melhor liberar para outras doenças mesmo. No entanto, é importante que exista algum tipo de monitoramento em tempo real para, se for preciso, voltar a montar rapidamente o leito de Covid, para minimizar perdas — diz Leonardo Bastos.

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