Mais de 4 milhões de estudantes entraram na pandemia no Brasil sem acesso à internet

Redação Notícias
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Amanda Trindade helps her 9-year-old daughter Giovana with her homework that was dropped off by a school worker at their home in the rural area in Sao Jose dos Campos, Brazil, Tuesday, July 14, 2020. In March when schools closed due to the COVID-19 pandemic, the Mother Teresa school decided to deliver homework to students because most of them don't have computers or have very limited Internet access. (AP Photo/Andre Penner)
A pesquisa considerou uso por celular, computador, tablet ou televisão (Foto: AP Photo/Andre Penner)
  • Ao fim de 2019, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), eram 4,3 milhões de alunos sem conseguir navegar na rede

  • Destes, 4,1 milhões estudavam na rede pública de ensino

  • A dificuldade para acessar a internet e computadores são vistos como alguns dos motivos para a falta de participação de alunos nas atividades em 2020

Mais de 4 milhões de estudantes brasileiros entraram na pandemia do coronavírus sem acesso à internet. Ao fim de 2019, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), eram 4,3 milhões de alunos sem conseguir navegar na rede. A pesquisa considerou uso por celular, computador, tablet ou televisão.

De acordo com o levantamento feito pelo instituto, divulgado nesta quarta-feira (14), os motivos vão da falta de dinheiro para contratar o serviço ou comprar um aparelho apto à internet ou a indisponibilidade da rede na região onde moram.

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Destes, 4,1 milhões estudavam na rede pública de ensino, segundo o IBGE. A estatística reforça os efeitos da desigualdade na educação com escolas fechadas durante a pandemia e a falta de atenção do poder público com os alunos.

A dificuldade para acessar a internet e computadores são vistos como alguns dos motivos para a falta de participação de alunos nas atividades em 2020. 

De acordo com a Folha de S. Paulo, na rede pública estadual de São Paulo, por exemplo, cerca de 91 mil alunos não acompanharam as aulas remotas nem entregaram nenhuma atividade letiva no ano.

"A questão do aparelho ser caro e do serviço ser caro é um problema, mas é um problema ainda maior para o estudante da rede pública", diz a pesquisadora do IBGE Alessandra Brito.

Segundo ela, 99,5% dos brasileiros acessam a internet pelo celular, e apenas 45,1% o fazem por computadores.

Segundo a pesquisa, embora 78,3% da população e 82,7% dos domicílios brasileiros tivessem acesso à internet no fim de 2019, a cobertura variava muito entre regiões, faixas de renda e tipo de escola frequentada.

Nos municípios da zona rural, por exemplo, a taxa de cobertura de internet é de 55,6% dos domicílios. No Norte do país, apenas 38,4% das residências da área rural tinham acesso à internet. No Nordeste, a taxa é de 51,9%.

Segundo o IBGE, as principais razões para a falta de internet são o preço do serviço (citado em 21,4% dos domicílios da zona rural), a falta de conhecimento sobre como usar o serviço (21,4%) e a indisponibilidade do serviço (19,2%).

Custo da internet é um problema

O custo para ter internet também é o problema principal para estudantes. Em seguida, aparece o custo para adquirir um equipamento eletrônico para utilizar o serviço. 

Os entraves parecem refletido na renda salarial desses grupos. No país, a renda per capita média dos domicílios com acesso à internet (R$ 1.527) era o dobro daquela verificada nas residências sem o serviço (R$ 728).

Portrait of father and son studying with laptop on a online class at home
Entre estes, apenas 64,8% tinham celular, enquanto a taxa de cobertura entre os estudantes da rede privada era de 92,6%. (Foto: Via Getty Creative)

Cerca de 22% dos domicílios brasileiros não tinham acesso a banda larga fixa no fim de 2019, ficando dependentes dos serviços de banda larga móvel. Ainda assim, 18,8% deles não conseguiam acessar esse tipo de serviço. Ou seja, a velocidade do serviço é outro problema.

Ainda com o serviço móvel a desigualdade no acesso a equipamentos prejudica mais os alunos da rede pública. Entre estes, apenas 64,8% tinham celular, enquanto a taxa de cobertura entre os estudantes da rede privada era de 92,6%.

Um quinto do país sem internet

O estudo aponta que o número de pessoas com acesso à internet vem crescendo no país, segundo o IBGE. Em 2018, eram 45,9 milhões de brasileiros sem acesso à rede, o que correspondia a 25,3% da população com 10 anos ou mais. Em 2019, o percentual desconectado caiu para 20,1%. Ou seja, 6,1 milhões de pessoas passaram a estar conectadas à internet.

Mesmo assim, quando os dados são expandidos para todo território brasileiro, a desigualdade é ainda pior. Segundo o IBGE, um quinto da população, ou 39,8 milhões de pessoas, não tinham acesso à internet em 2019. O número corresponde a 21,7% da população com idade acima de 10 anos.

A pesquisa mostra que 43,8% alegaram não ter o serviço por não saber navegar na rede. Outras 31,6% disseram não ter interesse, 18,0% alegaram custo e 4,3% afirmaram que o serviço não estava disponível nos locais que costumavam frequentar.

A maior quantidade de pessoas desconectadas foi estimada no Norte (69,2%) e Nordeste (68,6%). Foi também nas regiões com menor acesso à internet que foram registradas maior indisponibilidade do serviço. No Norte, 12,8% das pessoas que não acessaram a internet apontaram a falta de serviço em sua região, enquanto no Sudeste o percentual apenas 2% mencionaram essa justificativa.