Mais do que pop, o agro é o todo-poderoso da política brasileira

O agro representa uma das maiores forças do Congresso Nacional, com a chamada Bancada Ruralista. (Foto: Getty Images)
O agro representa uma das maiores forças do Congresso Nacional, com a chamada Bancada Ruralista. (Foto: Getty Images)

Jair Bolsonaro sinalizou nessa semana que Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, pode ser sua vice na disputa eleitoral de 2022.

Na coluna passada, falei muito sobre a representatividade dela numa área em que Bolsonaro não vai bem, a ala das mulheres. Nesse momento me permito um parênteses: Lula também já difamou inclusive mulheres do seu partido, mas como nossa memória é curta, não trazemos isso ao debate.

Mas tem um outro setor que merece mais destaque quando falamos de Tereza Cristina: o setor agro.

O Brasil é um país agropecuário e uma das maiores forças do Congresso Nacional está representada nos ruralistas, com a chamada Bancada Ruralista.

Me debrucei por muitos anos nesse tema e, inclusive em pesquisas minhas publicadas em revistas científicas, eu identifiquei que esse grupo de congressistas influencia até 41% dos votos na Câmara. Isso é muita coisa.

E, por mais que a bancada seja composta por parlamentares de vários partidos até com ideologias diferentes, eles se unem quando o tema é de seu interesse, numa demonstração de força e coesão que poucas vezes vimos na política brasileira, onde cada um vota olhando somente para si (o tal personalismo).

Publiquei um texto em 2020 em que a própria Tereza Cristina, até então presidente da Bancada Ruralista declarava: “não poupamos esforços para defender nossos interesses”.

Abelardo Lupion, ex-deputado federal e antigo assessor da Casa Civil, em conversa comigo e autorizada para publicação, disse: “nosso interesse é defender a todo custo o maior produtor de alimentos do mundo: os agricultores brasileiros”.

Tereza Cristina é representante de um setor que tem na sua territorialidade seu grande trunfo. Bolsonaro é mais forte no Sul e tem apoio no Mato Grosso do Sul. Os ruralistas têm no Nordeste, por exemplo, dos 151 parlamentares, 63 entre os ruralistas.

No Norte, dos 65, 29 são da também chamada Bancada do Boi. Conseguem visualizar o potencial de votos se isso for bem trabalhado?

Em alguns momentos a bancada é considerada radical. Seus defensores argumentam que nada mais são do que “aguerridos na defesa do setor do campo”. Diferenças nas análises de discurso deixadas de lado, a verdade é que esse setor é um dos mais importantes da economia e da política brasileira e tê-lo ao seu lado certamente é uma vantagem competitiva imensa.

Numa entrevista para minha tese, o atual governador de Goiás, Ronaldo Caiado, um dos maiores expoentes desse setor, deixou claro que o PT tentou destruir o produtor rural impossibilitando o setor de trabalhar.

Esses representantes do agro podem ascender a outras posições no Congresso, nos ministérios e manter suas articulações com a bancada da Câmara. Ou seja, transitam para outros cargos do Legislativo e do Executivo para continuar a defesa da expansão da agricultura. Vide Tereza Cristina que era líder da bancada e foi alçada ao posto de ministra da Agricultura.

Diga-se de passagem uma ministra ativa, que também defendeu o setor e que nesse momento, além de ajudar o presidente Bolsonaro com a clara rejeição entre as mulheres, ainda deve trazer sensatez e equilíbrio para a disputa, atributos que muitas vezes (na maioria) são deixados de lado tanto por Bolsonaro quanto por Lula.

E aqui nem me refiro ao fato dela ser mulher.

É característica pessoal o equilíbrio da ex-ministra que num ano de revanchismos políticos, pode aliar a experiência num dos setores mais importantes para o país à amenização de um cenário caótico.

Para quem quiser ler a pesquisa sobre o setor agro, uma parte dela está publicada na forma de artigo com o título: O Brasil agrário, o conservadorismo e a direita na Bancada Ruralista.

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