Mais jovens são o novo perfil de internados pela Covid-19 em São Paulo

João Conrado Kneipp
·5 minuto de leitura
people gather at Mercearia São Pedro, Vila Madalena, Sao Paulo, Brazil (Photo by Paulo Fridman/Corbis via Getty Images)
Movimentação na Vila Madalena, em São Paulo, antes do início da pandemia. Agora, os mais jovens estão no foco das preocupações do governo de São Paulo. (Foto: Paulo Fridman/Corbis via Getty Images)

Os mais jovens estão no foco das infecções e internações pela Covid-19 em São Paulo. Se no início da pandemia a preocupação era com os idosos — considerados grupo de risco da doença —, agora as autoridades do governo João Doria voltam os olhos para outras faixas etárias.

Nas últimas três semanas, pacientes com idades entre 30 e 50 anos passaram a ser maioria entre os internados em decorrência do novo coronavírus, tanto nos leitos de enfermaria quanto nos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Em uma faixa etária mais jovem ainda, os pacientes dos 20 aos 39 anos representam 40% dos casos e 3,6% das mortes contabilizados no estado.

Nas últimas três semanas (21 de nov a 11 de dez), São Paulo registrou:

  • 125 mil novos casos - média de 6,9 mil casos diários

  • 2,6 mil mortes - média de 109 óbitos diários

Antes, no período da pandemia entre março e novembro, esse volume de internações era ocupado por pacientes que tinham entre 55 a 75 anos. Apesar da mudança, esse grupo ainda representa 77% daqueles infectados que evoluem de forma grave e compõem as estatísticas de mortalidade da Covid-19.

A mudança no perfil etário das vítimas levou em consideração os dados de pedidos feitos via Cross (Central de Regulação e Oferta dos Serviços de Saúde), que disponibiliza os leitos no estado de São Paulo, e foi destacada pelo secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn.

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“A gente sempre veio falando que o grupo etário que mais nos preocupava era a faixa etária dos idosos. Mas temos que entender que o jovem ele não é imune ao vírus, ele também pode adoecer e ele também pode morrer em decorrência desse vírus. O que nós temos observado é uma mudança nesse perfil etário da pandemia. Nas últimas 3 semanas, temos observado um aumento da faixa etária de 30 a 50 anos”, afirmou Gorinchteyn, em diferentes momentos durante a coletiva de imprensa desta .

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O governo também demonstrou preocupação com a situação da pandemia no estado ao divulgar aumento em três dos principais indicadores de acompanhamento do avanço da doença, na comparação da 47ª semana epidemiológica (15 a 21 de novembro) com a 49ª semana (29 de novembro a 5 de dezembro):

  • Os novos casos aumentaram 23,6%

  • As internações cresceram 15,9%

  • E as mortes dispararam 30,3%

O estado de São Paulo apresenta tendência de alta nas mortes por Covid-19 há sete dias seguidos. Nesta sexta-feira (11), o número total de mortes chegou a 43.802, e o de casos confirmados, a 1.325.162.

MUDANÇA NO HORÁRIO DOS BARES VISOU OS MAIS JOVENS

Durante o anúncio das novas regras de funcionamento de comércios no estado para o fim de ano, Gorinchteyn detalhou que a restrição no horário da venda de bebidas alcóolicas e de abertura especificamente dos bares foi voltada para esse público etário mais jovem.

“São exatamente esses, de 30 a 50 anos, que continuam circulando, que continuam festejando, que continuam saindo para bares e dessa forma se contaminam e levam para suas casas. (...) O jovem é capaz de transmitir tanto para a sociedade quanto para sua própria casa, levando para os pais, para os avós, que estão em casa respeitando a quarentena e correm maior risco de evoluir de forma fatal”, completou o secretário de Saúde.

Os bares, que antes podiam funcionar até às 22h, deverão fechar às 20h. Os restaurantes poderão continuar abertos até 22h, mas não poderão servir bebidas alcoólicas após às 20h. As lojas de conveniência também estão proibidas de vender bebidas alcoólicas depois das 20h, seja para consumo no local ou para viagem.

“As sugestões apresentadas pelo Centro de Contingência do Coronavírus foram baseadas em evidências e consensos de mais de 500 epidemiologistas do mundo que consideram que os bares noturnos, os eventos noturnos são os locais mais propícios para a transmissão do vírus. É nessa questão do lazer noturno, que envolve bares, restaurantes, casas noturnas, shows, festas, baladas, que o Centro de Contingência detectou a necessidade de medidas mais duras para que a gente possa reduzir a transmissibilidade da doença”, detalhou João Gabbardo, coordenador-executivo do Comitê de Contingência da Covid-19.

Já os shoppings e comércios, que só poderiam funcionar por 10 horas diárias, tiveram a ampliação do horário para 12 horas por dia. Foram mantidas as regras da Fase Amarela do Plano São Paulo de lotação máxima de 40% e de funcionamento restrito até às 22 horas.

As novas regras passam a valer a partir deste sábado (12) e terão duração de 30 dias.

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Apesar das mudanças de horário, não foi feita a reclassificação de nenhuma região do estado. Desde o dia 30 de novembro, todas as 16 áreas de São Paulo estão na Fase Amarela do Plano São Paulo. Essa situação só deve ser revista no dia 4 de janeiro de 2021.

Segundo Gabbardo, a redução nos horários de funcionamento dos bares é a solução imediata para evitar a transmissão do vírus nessa faixa etária, já que a vacinação — prevista para iniciar em São Paulo no dia 25 de janeiro de 2021 — começará pelos mais idosos.

“Para essa população jovem, que não será contemplada em um primeiro momento com a imunização, é a redução da possibilidade de transmissão da doença”, finalizou ele.

A CoronaVac, no entanto, ainda não recebeu o aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para que seja aplicada na população, assim como as outras vacinas em produção ou em fase de estudos no mundo.

Na quinta, a Anvisa definiu as regras para a autorização temporária de uso emergencial das vacinas. Na prática, a decisão facilita o caminho para que companhias desenvolvedoras da vacina consigam a autorização para imunizar os brasileiros.