Mais de mil pacientes estão na fila para cirurgia de catarata no Hospital dos Servidores, afirmam funcionários

Mais de mil pessoas aguardam na fila para cirurgia de catarata no Hospital Federal dos Servidores do Estado do Rio. A unidade, que é referência na especialidade e recebe pacientes de outros hospitais para realização do procedimento, suspendeu as cirurgias em agosto do ano passado após o Ministério da Saúde parar de enviar as remessas de lentes intraoculares, dizem pacientes e profissionais da unidade.

Há cinco modelos de lentes para a realização da operação, mas todos estão em falta. Segundo funcionários que preferiram não se identificar, a reposição do material sempre foi lenta, mas o estoque nunca tinha ficado tanto tempo zerado. Antes, o hospital fazia cerca de 50 cirurgias por semana.

Valdelisse do Nascimento tem 80 anos e faz tratamento contra a catarata há quatro. No início de 2020, ela entrou na fila para fazer a cirurgia para operar a vista direita, no entanto, mais de dois anos depois, ainda aguarda ser chamada. A filha Ana Cristina é quem cuida da idosa, que já “não consegue fazer mais nada sozinha”.

— Minha mãe é obesa e tem catarata nos dois olhos. Ela já está quase perdendo a visão do olho direito, e o esquerdo também piorou muito de um ano para cá. Já refez os exames. Com essa demora, tenho medo dela perder completamente a visão, porque hoje ela só consegue ver vultos. Não temos condições de pagar uma cirurgia particular, a gente sobrevive com uma aposentadoria dela de um salário mínimo. Não posso trabalhar porque preciso cuidar dela — lamenta a moradora do Catumbi.

Cada olho precisa de uma lente específica, a depender do grau da doença, e nem sempre as lentes que chegam por doações ao hospital servem para todos que estão na fila. Após o paciente fazer todos os exames e receber autorização para operar, a cirurgia deve ser feita no prazo de até um ano, explicam funcionários.

O mesmo problema atrapalha a vida de Neuza Maria Quintella de Souza, de 74 anos, e de seu filho Rafael, que sempre a acompanhou nas consultas. Um dos olhos da idosa está quase 100% comprometido, e ela já perdeu 40% da visão do outro. Rafael tem medo que ela precise repetir novamente os exames.

— A gente está na fila desde outubro de 2021. Minha mãe começou a perceber que estava com a doença um pouco antes da pandemia. Ficou mais de um ano na fila do Sisreg, conseguiu ser atendida, mas agora não consegue operar. Essa espera tem gerado muita angústia e desconforto para a minha mãe. Ela não consegue mais fazer as coisas de rotina e fica nervosa, a pressão sobe. Fico com medo do problema se agravar ainda mais com o estresse — relata.

Hoje, mesmo com a chegada de novas lentes, apenas dois dos cinco tipos de cirurgia para catarata poderiam ser feitos na unidade. Isso porque pacientes com comorbidades e com a doença em estado avançado precisam ser operados no centro cirúrgico geral do Hospital dos Servidores, e não no centro cirúrgico do setor de oftalmologia, explica uma funcionária:

“Os casos mais graves podem demandar anestesista, internação, preparo cirúrgico, sedação, verificação de glicose, de pressão, e muitas outras questões que só o centro cirúrgico principal oferece. Não se opera catarata lá há muito tempo, porque parece que estão dando preferência para outras especialidades”.

Por nota, a direção do hospital, por meio do Ministério da Saúde, afirma que nega que haja mais de mil pacientes na fila e que "a compra das lentes para cirurgia de catarata é realizada pela unidade e "o material está disponível no almoxarifado".

Diz ainda que mais de 90% dos pacientes de catarata são operados rapidamente e, em alguns casos, por requererem cuidados especiais, podem demandar um tempo maior. Por fim, ressalta que em 2020 e 2021, devido à pandemia, os atendimentos na oftalmologia foram reduzidos mas que, ''ainda assim, nesses dois anos, o serviço realizou mais de quatro mil procedimentos cirúrgicos".

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