Mais novo na seleção, Martinelli fala de sua vida na Inglaterra, o medo de dormir sozinho e a irritação com a namorada

Não foi só Neymar que ficou surpreso com a convocação de Gabriel Martinelli para a Copa do Catar. O próprio jogador, o mais novo a integrar o time com seus 21 anos, não acreditava estar na relação de Tite. Até o técnico telefonar para ele.

"Quando o Tite me ligou, fiquei muito emocionado. Pô, você não faz ideia… Eu senti como se estivesse vivendo em algum tipo de mundo paralelo de fantasia. Devo muito a tantas pessoas... Especialmente aos meus pais", narra o atacante, que hoje atua pelo Arsenal, na Inglaterra.

É à equipe do timão inglês que o brasileiro também agradece. "Agradeço a Deus por ter vindo para o Arsenal em 2019. Eu realmente acredito que as coisas acontecem por uma razão especial e eu estou muito feliz aqui. É engraçado olhar para trás agora, porque eu poderia facilmente ter ido parar em outro lugar", recorda ele, que quase foi parar no Manchester United, também do Reino Unido.

Quis o destino, porém, que o time em que joga hoje Antony, também na seleção de Tite, jamais quisesse Martinelli. O rapaz foi para Londres aos 18 anos. Apavorado. Tanto quanto ficou ao saber que estava relacionado para sua primeira Copa do Mundo.

"Às vezes, eu tinha que dormir sozinho em casa... Nunca consegui. Quando criança, sempre dormia com meus pais, porque só tínhamos um quarto. Quando mudamos para Itu, eu tinha medo de dormir sozinho. Mesmo agora eu preciso de alguém em casa. Uma vez dormi lá sozinho, e acabei passando a noite inteira no telefone com minha namorada. Não estou contando isso como uma piada. Mesmo durante o dia, não gosto de ficar sozinho", confessa.

Martinelli também não falava inglês ainda e não conseguiu tirar sua habilitação, já que logo depois veio a pandemia e as provas foram adiadas. Passou praticamente dois anos pegando carona e andando de Uber na capital inglesa.

Para falar o idioma, Martinelli fazia aulas três vezes por semana e tem a ajuda da namorada, Isabella Rousso. "Eu fazia aulas de inglês três vezes por semana. Assistia a filmes com minha namorada. Eu a amo, mas, cara, ela me irrita! Mesmo sendo carioca, ela sempre quer assistir aos filmes em inglês e eu quero assistir dublado", conta.

O garoto está realizando um sonho de infância ao vestir a camisa da seleção. "Quando o Tite me convocou pela primeira vez para a seleção principal, em março, eu não sabia o que dizer. Ele me mandou uma mensagem e, eu juro, devo ter lido minha resposta pelo menos umas 20 vezes. Eu estava com medo de escrever algo errado.A minha estreia com a camisa da seleção foi no Maracanã... Pô, o Maraca! Surreal. Lembro de entrar no vestiário e ver a camisa amarela escrita Martinelli. Mandei uma foto para os meus pais", descreve ele em entrevista ao site "The Players Tribune": "Quando fui convocado para a seleção que vai disputar a Copa do Mundo, tive aquela sensação mágica de novo. Quando minha família se reunir no quintal pra ver a Copa, eu estarei na tela da TV. Vamos trazer o Hexa pro Brasil, se Deus quiser….".