Mais rentável e competitivo, novo formato da Copa Sul-Americana anima clubes brasileiros: 'Seis jogos garantidos'

Vitor Seta
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Nesta sexta-feira, a partir das 13h, a Conmebol dará a largada para uma remodelada Copa Sul-Americana. Tradicionalmente eliminatório, o torneio continental secundário dos clubes da América do Sul ganhou uma fase de grupos, assemelhando-se à Libertadores. Corinthians, Ceará, Athletico, Atlético Goianiense, Bahia e Bragantino são os representantes brasileiros na competição.

A mudança assemelha-se ao processo de reformulação da antiga Copa da Uefa, hoje conhecida como Liga Europa. A competição, que se disputava inteiramente em mata-mata, ganhou uma fase de grupos na edição 2004/05, alinhando-se à Champions League, principal disputa entre clubes do velho continente.

Na nova Sul-Americana, os quatro eliminados da terceira fase preliminar da Libertadores integrarão a fase de grupos. Elas se juntam a 12 equipes de Brasil e Argentina (seis de cada um), que vão aos grupos imediatamente, sem a necessidade de passar pela fase nacional, na qual equipes do mesmo país se enfrentam num mata-mata.

Outras 32 equipes, de Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela também se juntarão aos oito grupos de quatro participantes, após passarem pela fase nacional.

— O formato é bem atrativo. No campo esportivo, valoriza muito quem participa da competição, já que vocês tem seis jogos garantidos. Traz muita experiência às equipes, e para a gente vai ser muito importante para o time evoluir nas competições que disputa. Ficou mais inteligente, interessante do ponto de vista comercial — avalia o presidente do Ceará, Robinson de Castro.

Das equipes brasileiras participantes, o Vozão tem uma bela história para escrever no torneio. Após sua melhor campanha na história do Brasileirão em pontos corridos em 2020 (11º, 52 pontos), o clube fará sua primeira partida de competições internacionais fora do país, e pode fazer outras duas dependendo do grupo para o qual for sorteado. A equipe chegou a disputar a Copa Conmebol de 1995 e a Sul-Americana de 2011, mas acabou eliminada nas fases nacionais.

Mais datas e premiação

Além da introdução dos grupos, a Conmebol incrementou a premiação geral. Serão pagos 225 mil dólares (cerca de 1,25 milhão de reais) a cada jogo como mandante na fase de grupos. Os primeiros de cada grupo classificam-se às oitavas, na qual se juntarão aos oito terceiros colocados da Libertadores. Uma ida ao mata-mata vale meio milhão de dólares (2,8 milhões de reais), enquanto uma eliminação ainda nos grupos rende 120 mil (670 mil reais).

— Acho bom. São três jogos em casa garantidos, no mínimo — diz o presidente do Corinthians, Duilio Monteiro Alves. O mandatário explica que a logística de calendário não deve ser um problema na temporada:

— São mais datas para jogar. Mas se estivéssemos numa Libertadores, seria o mesmo. Então, estamos acostumados com essa quantidade de jogos.

O Ceará também vem se preparando para um calendário longo, com 13 contratações no início de 2021. Além da Copa do Brasil e do estadual (paralisado por conta da Covid-19), o Vozão disputa ainda a Copa do Nordeste, cuja reta final coincide com o início da fase de grupos do continental.

— Montamos um elenco mais numeroso e promovemos garotos do time campeão de aspirantes. Vai ser difícil, mas temos um elenco que consegue suportar essas três competições — diz o executivo de futebol Jorge Macedo.

Macedo ressalta que as despesas operacionais aumentaram para a disputa do torneio internacional por conta da alta do dólar e da pandemia do novo coronavírus, mas comemora os ganhos financeiros:

— É uma ajuda que vem a calhar. As receitas diminuíram sem a bilheteria, ajudará bastante.