Mais um adolescente indígena morre vítima de coronavírus

Daniel Biasetto
Adolescente indígena infectado por coronavírus

Uma adolescente da etnia Macuxi, de 17 anos, é a mais nova vítima de coronavírus entre indígenas no país. A informação foi confirmada pelo Distrito Sanitário Indígena (Dsei) Leste Roraima. No total, o número de índios contaminados pela Covid-19 no Brasil chegou a 214, média de cinco casos por dia. O estado do Amazonas concentra 70% dos registros da doença.

Dados atualizados da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) mostram que foram registradas ao menos 16 mortes, com 126 curas clínicas. Outros 96 casos de pacientes que tiveram amostras recolhidas estão sob suspeita. Os números da Sesai não levam em conta índios que vivem dentro de um contexto urbano, o que é criticado pelas entidades e associações que lutam pelos direitos dos povos indígenas.

A adolescente morreu neste sábado uma semana após procurar ajuda com febre e dor de cabeça. Ela foi transferida no dia 4 de maio para o Pronto Socorro Cosme e Silva, em Boa Vista, recebeu alta no mesmo dia e seguiu para Casa de Saúde indígena (Casai), mas voltou a passar mal e teve o diagnosticado confirmado. Ela chegou a ser internada às pressas no Hospital Geral de Roraima, onde teve piora de seu quadro respiratório e faleceu.

Os Macuxi habitam a região de fronteira com as Guianas, muitos deles na área conhecida como Raposa Serra do Sol, em Roraima. De acordo com o Instituto Socioambiental (ISA), estima-se que existam 140 aldeias macuxi no Brasil.

Esta é a segunda vez que um adolescente indígena morre em decorrência da doença desde que fora registrado o primeiro caso entre esses povos, há 40 dias. O primeiro foi o ianomâmi Alvanei Xrixana , de 15 anos. Ele também morreu no Hospital Geral de Roraima.

O Dsei de Alto Solimões é disparado o distrito com o maior número de casos (100), em sua maioria indígenas kokama e tikuna. Logo depois estão Manaus (25), Parintins (20), Ceará (15) , Yanomami (14) e Leste Roraima (8).

Na semana passada, O GLOBO revelou um áudio em que o coordenador do Dsei do Alto Solimões, Weydson Gossel,  afirma a um grupo de secretários e agentes de saúde que as "coisas estavam fora de controle". Ele faz duras críticas ao governo e à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam).

O distrito do Alto Solimões compreende nove municípios e tem em Tabatinga a cidade com a maior infraestutura para tratar enfermidades, mas que com a crise sanitária entrou em colapso e pede ajuda.

Além de Tabatinga, a região do Alto Solimões conta com outros oito municípios: São Paulo de Olivença, Benjamim Constant, Amaturá, Santo Antonio do Içá, Tonantins, Fonte Boa, Tefé e Jutaí.