Mais uma paciente relata sequelas após hidrolipo feita por médico que atendeu diarista morta após procedimento

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Uma paciente, de 27 anos, do médico Brad Alberto Castrillon SanMiguel prestou depoimento nesta segunda-feira na 27ª DP (Vicente de Carvalho), que investiga a morte da diarista Maria Jandimar Rodrigues, de 39 anos, após uma hidrolipo. A mulher, que não quis se identificar, fez o mesmo procedimento estético na clínica em que SanMiguel atuava em Vicente de Carvalho, na Zona Norte do Rio. Nesta terça-feira, ela voltou à delegacia e disse ter ficado com três marcas grandes de queimaduras e de pontos necrosados no corpo, na altura do abdômen.

Todas as cicatrizes aparecem três dias após o procedimento, feito pelo médico em duas etapas, nos dias 6 e 8 deste mês. A mulher contou que esteve na clínica horas antes de Maria Jandimar passar pelo tratamento com SanMiguel, na sexta-feira (17). Neste dia, a diarista passou mal após a consulta e morreu no estacionamento do centro comercial onde o consultório funcionava.

— Fui na clínica no dia 17, às 11h para uma revisão. Ela morreu mais tarde naquele mesmo dia. Esses dias têm sido aterrorizantes pra mim. Acho que o que aconteceu comigo (queimadura e necrose de pontos) pode ter sido causado por um descuido dele ou por alguma imperícia. Tenho medo das marcas não desaparecerem mais. Cheguei a procurar o médico, mas ele não deu importância e não explicou porque isso aconteceu. A única coisa que fez foi passar uma pomada. Procurei a polícia para ajudar nas investigações. Da mesma forma que ele agiu comigo pode ter agido com a Maria. Há outras mulheres que fizeram procedimentos com este mesmo médico que estão passando pelo mesmo problema. Estamos criando um grupo nas redes sociais para ajudarmos umas as outras. Quero que este médico seja responsabilizado pelo que fez — disse a tanatopraxista.

Também nesta segunda-feira, outra paciente do médico Brad Alberto prestou depoimento na 27ª DP. Com sequelas pelo corpo e dificuldade para andar, a promoter Daiana França disse ter tido infecção generalizada após um procedimento estético. Ela também revelou ter passado 23 dias em um hospital, sendo 16 deles internada numa unidade de Centro de Tratamento Intensivo. Nesta terça-feira, outras pessoas são esperadas para prestar depoimento no inquérito que apura a morte da diarista. O médico foi ouvido, na noite desta segunda-feira, e alegou ter prestado socorro à Maria Jandimar por 30 minutos ininterruptos. Brad Alberto, que é colombiano, teve o passaporte apreendido no fim do seu depoimento que durou seis horas.

Por meio de nota, o advogado Hugo Novais, da defesa de SanMiguel, afirma sobre a morte de Maria Jandimar que o médico "adotou corretamente todos os previstos na literatura médica, e quando se deparou com a intercorrência, buscou imediato socorro em uma emergência próxima, o que não foi possível em virtude do falecimento da paciente. Importante ressaltar que não existiu omissão de socorro, muito menos tentativa de fuga". O comunicado ainda afirma que ele está à disposição das autoridades e que se solidariza com a família da paciente morta.

Essa versão, no entanto, é diferente da contada pela família. Na última sexta-feira, a filha da diarista, Brenda Rodrigues, de 21 anos, chegou a gravar o socorro à Maria sem saber que a paciente era sua mãe. Às 13h de sexta-feira, dia 17, Brenda a aguardava na recepção de um prédio comercial, por volta das 13h. Maria foi a uma clínica de estética realizar a segunda sessão, de três, de hidrolipo. Enquanto esperava no térreo do prédio a autorização do estabelecimento para subir à sala onde era feito o procedimento, a recepcionista que a atendia percebeu que uma mulher estava caída na entrada no centro comercial: a vítima era loira e estava de roupão. Por estar longe, Brenda não conseguiu reconhecer que na verdade ali estava sua mãe.

Brenda narra que após o óbito ocorrer, uma recepcionista da clínica desceu e pediu para a acompanhar. Mas, em vez de subir para a sala onde, em tese Maria estava, ela foi levada para os fundos do prédio e informada que o médico a encontraria. A jovem ainda conta que o médico e o anestesista estavam carregando uma espécie de mala.

— Já tinha um táxi ali parado para ele ir embora — desabafa a filha.

Brad Alberto em seu depoimento contou ter se formado em medicina, em 2007, na Colômbia. Em 2016, revalidou seu diploma no Brasil, atestado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Disse ter feito, em 2018, especialização em cirurgia geral pela Uni-Rio. Em fevereiro de 2021, concluiu pós-graduação de cirurgia plástica pela Universidade Federal Fluminense.

O médico contou também ter trabalhado em UPAs estaduais, dos quais foi chefe de plantão em quatro delas — Marechal Hermes, Realengo, Penha e Ricardo de Albuquerque — e que atuou ainda no Hospital Getúlio Vargas. O médico também disse ter trabalhado no Hospital Ronaldo Gazolla como cirurgião residente, tendo feito cerca de 200 cirurgias na unidade.

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