Major condenado por tortura e morte do pedreiro Amarildo é reintegrado à Polícia Militar

O Globo
·2 minuto de leitura

RIO — A Polícia Militar reintegrou ao quadro da corporação o major Edson Raimundo dos Santos, condenado pela tortura e morte do pedreiro Amarildo Souza em julho de 2013, na Rocinha. A decisão foi publicada no Diário Oficial do estado e assinda pelo secretário de estado de Polícia Militar, coronel Rogério Figueredo de Lacerda. A informação foi antecipada pela rel="external" href="https://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/major-da-pm-condenado-por-morte-de-amarildo-e-reintegrado-corporacao.html" target="_blank">coluna do jornalista Lauro Jardim, do GLOBO.

Santos foi condenado a 13 anos e sete meses de prisão em 2016. href="https://oglobo.globo.com/busca/click?q=amarildo+pol%C3%ADcia+militar&p=9&r=1612291064777&u=http%3A%2F%2Fnoblat.oglobo.globo.com%2Fgeral%2Fnoticia%2F2016%2F02%2Fjustica-condena-grupo-de-policiais-militares-envolvido-na-morte-de-amarildo.html&t=informacional&d=false&f=false&ss=&o=&cat=&key=c8cd8ac06c894e02cb47408b8acb3042" target="_blank">Outros 12 PMs da UPP Rocinha também foram penalizados. A Justiça concluiu que Amarildo foi torturado até a morte dentro da unidade localizada na comunidade.

O major estava em liberdade condicional e cumpria prisão domiciliar desde novembro 2019 por decisão da da juíza Larissa Duarte, da Vara de Execuções Penais. Até meados de 2020, estava lotado na Diretoria Geral de Pessoal (DGP), conhecida como a “geladeira” da corporação.

Recursos em série

Recursos em série mantiveram o major nos quadros da Polícia Militar do Rio. Só no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o oficial e seus advogados já acumulam sete derrotas em recursos impetrados contra a decisão de 2018 do Tribunal de Justiça do Rio, que determinou sua exclusão da PM. A estratégia da defesa do oficial culminou na condenação do major e de seus advogados, em maio, a uma multa de dez salários mínimos — mais de R$ 10 mil — por usar seguidos recursos como forma de adiar a expulsão. Enquanto recorre, o major segue na PM, recebendo remuneração.

Desde que foi preso, em outubro de 2013 — três meses após o desaparecimento do pedreiro —, o major Edson Santos embolsou mais de R$ 800 mil dos cofres do estado. Em maio, por exemplo, o ex-comandante da UPP da Rocinha recebeu R$ 12.648,27 líquidos, segundo a Secretaria estadual de Casa Civil.

Em janeiro de 2016, Santos foi condenado a 13 anos e sete meses de prisão em primeira instância, como mandante da sessão de tortura que terminou com a morte do pedreiro. A condenação foi mantida em segunda instância. Em junho de 2017, o major também foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto por corromper duas testemunhas do processo que apurava a sessão de tortura. O corpo de Amarildo não foi encontrado até hoje.