Major Olímpio diz que Flávio Bolsonaro 'tem que cair fora' do PSL

Major Olímpio disse que Flávio Bolsonaro "tem que cair fora do PSL" (Foto: Ananda Borges/Câmara dos Deputados)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Líder do partido no Senado diz que posição de Flávio contra a CPI da Lava Toga vai contra a bandeira anticorrupção

  • Major Olímpio diz que não vai entrar para o Conselho de Ética do PSL contra o filho do presidente

Depois de o senador Flávio Bolsonaro (PSL) se manifestar publicamente contra a CPI da Lava Toga, o líder da sigla no Senado disse que o filho do presidente “tem que cair fora do PSL”. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Depois senadores do PSL relatarem que Flávio pediu para eles retirarem suas assinaturas do requerimento para abertura da CPI, o senador passou a ser pressionado nas redes sociais para apoiar a investigação. Em entrevista ao canal Terça Livre, ele declarou sua posição: "Tenho a clara percepção que uma CPI com essa pauta toca fogo no país".

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Com a tensão, a senadora Selma Arruda (MT) anunciou que vai sair do partido e se filiar ao Podemos. Ela foi uma das parlamentares que afirmaram terem sido pressionados por Flávio Bolsonaro para impedir a abertura da CPI. Ao Estadão, Major Olímpio se mostrou descontente com a situação:

“Nós que representamos a bandeira anticorrupção do presidente. Eu tentei convencê-la a ficar e resistir conosco. Quem tem que cair fora do PSL é o Flávio, não ela. Gostaria que ele saísse hoje mesmo”, afirmou.

No entanto, ele negou que vai participar do Conselho de Ética do PSL contra Flávio, já que não acredita que ele tenha cometido algum crime. “Só trazer muita vergonha a nós”, acrescentou.

O próprio Major Olímpio já considerou, há algumas semanas, deixar o partido devido a discordâncias com o PSL-SP e decepções com o governo Bolsonaro. Ele afirma que colegas o convenceram a ficar e “resistir”.

EDUARDO SE DIZ CONTRÁRIO À LAVA-TOGA

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) foi o primeiro da família Bolsonaro a falar sobre a CPI da Lava Toga após a declaração polêmica de Flávio. No Twitter, ele compartilhou um vídeo da youtuber conservadora Paula Marisa criticando a investigação:

A autora do vídeo alega que a CPI pode "trancar a pauta da reforma da Previdência no Senado" e até "acabar com a Lava Jato". Ela defende medidas como o impeachment de membros do STF (Supremo Tribunal Federal) e o fim da PEC da Bengala, que elevou para 75 anos a idade da aposentadoria compulsória nos tribunais superiores.

No entanto, ela critica Flávio, que disse que não pode tomar certas medidas por ser filho do presidente. Ela diz que “não vai passar pano” para o senador:

"Me desculpa senador Flávio Bolsonaro, mas se você está impedido, está de mãos amarradas para tomar medidas que são importantes para o país, pelo fato de ser filho do Bolsonaro, renuncie, porque a gente precisa de senadores lutando pelas nossas reivindicações", argumentou.

Ela criticou senadores que assinaram o requerimento de abertura da investigação, como o próprio Major Olímpio, a juíza Selma, e Alessanro Vieira (Cidadania-SE). Este último respondeu à publicação de Eduardo Bolsonaro:

"Falta de vergonha na cara. A real é que o sistema está usando o rabo preso da sua família para barrar o combate à corrupção. Quem quer mudar o Brasil apoia a CPI. Quem quer mamata em embaixada fica com mimimi", postou o senador.