Malásia não detecta anormalidade nas comunicações do voo MH370

Por Gregory WOOD
1 de abril de 2014
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Budistas malaios rezam pelas vítimas do voo MH370 em Kuala Lumpur no dia 31 de março de 2014

As últimas comunicações entre os pilotos do voo MH370 da Malaysia Airlines, desaparecido em 8 de março, e o controle aéreo não revelaram nada anormal, anunciaram nesta terça-feira autoridades malaias, enquanto as buscas pelos destroços e caixas-pretas da aeronave prosseguiam no Oceano Índico.

Um navio da Marinha australiana, o Ocean Shield, deixou Perth (oeste da Austrália) segunda-feira à noite transportando uma sonda de 35 kg (Towed Pinger Locator) capaz de captar as emissões acústicas das caixas-pretas da aeronave.

O navio deve levar três dias para chegar à região onde poderiam estar os destroços do avião, faltando poucos dias para a expiração da duração (30 dias) das emissões de sinais das caixas-pretas do Boeing 777 da Malaysia Airlines, que desapareceu com 239 pessoas a bordo.

"Nos resta cerca de uma semana, mas a duração da bateria (das caixas-pretas) depende da temperatura da água, da profundidade e da pressão", ressaltou o ministro australiano da Defesa, David Johnston.

As buscas se estendem sobre uma ampla região do Índico meridional, de 329.000 km2, o equivalente à superfície da Noruega. No entanto, para que o localizador americano possa detectar possíveis sinais, deve ser rebocado a 5km/h.

O caso tem provocado comparações com o voo 447 da Air France, que desapareceu sobre o Atlântico em junho de 2009.

Na ocasião, os investigadores sabiam para onde olhar e peças do dispositivo foram encontrados cinco dias após o acidente. Mas foram necessários 23 meses para encontrar as caixas-pretas e saber mais sobre a tragédia que custou a vida de 228 pessoas.

No caso do voo MH370, nenhum dos objetos flutuantes detectados por satélites ou recuperados até o momento faziam parte da aeronave.


Nada de anormal no cockpit


O ex-chefe da Aeronáutica da Austrália, que coordena os trabalhos de busca a partir de Perth, também se mostrou prudente quanto as chances de solucionar o caso.

"O ponto de partida de uma operação de busca e de socorro é a última posição do veículo ou da aeronave. Neste caso em particular, a última posição conhecida é distante, muito distante do local onde a aeronave aparentemente desapareceu", indicou Angus Houston.

No dia 8 de março, o Boeing 777 saiu da rota prevista uma hora depois de decolar, às 00h41 (13h41 de sexta-feira no horário de Brasília) de Kuala Lumpur com destino a Pequim e prosseguiu com o voo por milhares de quilômetros em direção ao sul, antes de cair no mar, provavelmente por falta de combustível.

A Malásia anunciou oficialmente em 25 de março que o voo MH370 havia "caído no sul do oceano Índico", sem que nenhum objeto tenha sido recuperado para confirmar a informação.

A região de busca foi modificada no final de semana, após novos cálculos sobre a trajetória do avião.

Além disso, a análise das últimas comunicações entre os pilotos do voo MH370 e o controle aéreo não revelam nada anormal, segundo o ministro malaio dos Transportes, Hishammuddin Hussein.

Publicadas integralmente pela primeira vez nesta terça-feira, as 43 comunicações feitas ao longo de 54 minutos, repletas de detalhes sobre o tráfego aéreo, não revelaram nenhum elemento que aponte algum problema na aeronave.

A transcrição conclui com uma comunicação do controle aéreo da Malásia, que deseja 'boa noite' aos pilotos do MH370 e pede que entrem em contato com os controladores do Vietnã, cujo espaço aéreo deveriam sobrevoar.

A última comunicação dos pilotos aconteceu às 1H19 (hora local), na qual um deles afirma: "Boa noite, Malaysian três, sete, zero".

Até o momento, as autoridades e a companhia haviam informado que a última mensagem dos pilotos havia sido: "Tudo bem, boa noite".

A frase, muito informal, alimentou a especulação de que um dos pilotos, o capitão Zaharie Ahmad Shah, de 53 anos, ou o oficial Fariq Abdul Hamid, de 27, desviou a aeronave.

O governo da Malásia foi muito pressionado para esclarecer este ponto e finalmente corrigiu a informação, com a publicação completa da transcrição das comunicações.

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