Humor que não faz rir, drama que não comove: “Maldivas” é ruim ou a expectativa do público é inatingível?

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Bruna Marquezine, Carol Castro, Manu Gavassi, Natalia Klein e Sheron Menezzes (Foto: Netflix)
Bruna Marquezine, Carol Castro, Manu Gavassi, Natalia Klein e Sheron Menezzes (Foto: Netflix)

Que me perdoem as que vieram antes, mas “Maldivas” é a primeira série nacional da Netflix que me empolgou de cara. Estava ansioso para rever Bruna Marquezine e Manu Gavassi em cena (adoro as duas desde sempre, mas a admiração foi a outro nível com o “BBB 20”), assim como curioso para conferir o desempenho de Carol Castro, Sheron Menezzes e outros nomes que já passaram por novelas da Globo.

Assim que saíram os primeiros vídeos promocionais, também imaginei que seria algo no estilo “Sex and the City”, um dos maiores e melhores clássicos quando se fala em drama, romance e um humor mais sofisticado, digamos.

Eu precisei fazer esta introdução porque acredito que, ainda que por motivos diferentes dos meus, boa parte do público tem expectativas altíssimas e vai se frustrar — isso sem falar de quem já está condicionado a não gostar apenas por se tratar de uma produção nacional.

O que deu errado

Sabe aqueles itens três em um que, na realidade, não executam nenhuma das funções incrivelmente bem? Pois é. Essa primeira temporada conta com sete episódios — todos com menos de uma hora — e a sensação que fica é a de que a maioria das reviravoltas foi jogada em você, não há uma construção que te faça criar uma conexão profunda com o que está rolando, seja drama, romance ou comédia. Alguns exemplos sem spoilers: quando dois personagens têm um caso, eles simplesmente já têm um caso, não vemos esse envolvimento acontecendo. Quando um casal está em crise, já está em crise, não mostram esse processo ou mesmo exploram isso de uma forma que nos faça sentir empatia.

Os facilitadores de roteiro chegam a irritar. O pior acontece quando uma das suspeitas do crime quebra a unha por causa de uma espécie de tique nervoso durante uma ida à delegacia e o investigador recolhe essa unha para fazer um teste de DNA (que muda tudo). Ah, e muitas perguntas que poderiam ter sido respondidas ficaram para a segunda temporada somente para justificá-la. Afinal, não faltou oportunidade de aparar todas as arestas no último episódio.

O que deu certo

Toda a parte técnica de "Maldivas", especialmente os figurinos (que complementam muito bem a personalidade de cada personagem), a cenografia e a iluminação (destaque para o uso das luzes neon e das cores e outros elementos que marcam a estética da série), funcionam bem. A ideia de reunir Bruna Marquezine e Vanessa Gerbelli em papéis de mãe e filha também foi sensacional! A interação das duas me emocionou muito mais pela memória afetiva de “Mulheres Apaixonadas” do que pela história contada na série, confesso.

O conselho é: abra o coração

Como disse, apesar da investigação de um misterioso assassinato em um condomínio de luxo ser a trama principal de “Maldivas”, a série tem (ou tenta ter) uma pegada dramática, romântica e principalmente cômica. A questão é que, de modo geral, eu não consegui me comover, shippar ou rir até o último episódio, quando finalmente aceitei o que estavam me entregando e parei de querer mais sofrimento, mais química entre os casais, tiradas mais engraçadas. Então, meu conselho para você que pretende dar o play é: abra o coração e tente não exigir demais, ou pelo menos não espere muito mais do que pediria de uma série gringa.

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