Malta, líder europeu em vacinação, alerta sobre risco de variante da covid

Marc BURLEIGH
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Malta é um dos líderes em vacinação na UE

Malta, líder da União Europeia em vacinação contra a covid-19, reconheceu o sucesso da aquisição conjunta de doses pelo bloco nesta terça-feira (16), mas ressaltou que medidas devem ser tomadas para conter as preocupantes variantes do vírus.

O ministro da Saúde, Chris Fearne, ex-cirurgião que também é vice-primeiro-ministro, disse à AFP em uma entrevista que a compra conjunta "sem precedentes" de doses de vacina pela UE evitou a competição que teria deixado Malta de lado.

"Imagine a situação se não tivéssemos feito isso juntos: se os Estados membros tivessem seguido seu próprio caminho... teria havido uma disputa entre os Estados membros, então os maiores provavelmente teriam acesso às vacinas enquanto os menores seriam deixados para trás, possivelmente sem acesso nenhum”, analisou.

Até esta terça-feira, Malta aplicou pelo menos uma dose em 10% de sua população de 515.000 pessoas, e mais de 3% daqueles com mais de 16 anos foram totalmente vacinados com duas doses da vacina BioNTech/Pfizer ou Moderna.

A partir da semana passada, o pequeno país também começou a vacinar com doses de AstraZeneca, embora somente pessoas entre 18 e 55 anos.

A taxa de vacinação coloca Malta no topo da União Europeia, algo que Fearne atribuiu a dois motivos principais: encomendar dois milhões de doses, o suficiente para imunizar sua pequena população duas vezes, e uma grande rede de centros de saúde comunitários que distribuem as doses assim que elas chegam.

Além disso, Malta realizou pedidos de três outras vacinas candidatas - as da Johnson & Johnson, CureVac e Novavax - que devem ser aprovadas em breve na UE.

Isto permitiu a Malta superar as dificuldades de abastecimento que afetam os maiores países da UE na implementação das suas campanhas.

- Possíveis doses anuais -

Fearne afirmou que Malta também está ciente de que a vacinação contra o coronavírus pode ser um longo caminho, principalmente devido às variantes que surgiram na Grã-Bretanha, Brasil, África do Sul e Nigéria, algumas das quais parecem reduzir a eficácia dos imunizantes atuais.

“Se a imunidade diminuir, precisaremos de doses de reforço, então podemos precisar de uma dose anual. Espero que não, mas é uma possibilidade”, explicou o ministro.

Em uma carta que enviou à Comissão Europeia em 18 de janeiro, Fearne instou a UE a realizar pesquisas mais frequentes sobre a imunologia das vacinas contra covid-19 e sobre sequenciamento genético para detectar novas cepas.

O vírus, disse Fearne, "continuará sofrendo mutações, o que significa que em algum momento podemos precisar de diferentes vacinas ou diferentes mudanças nas vacinas para lidar com as variantes". A comissão respondeu que as solicitações estão sendo atendidas.

- Conversas com Israel -

A taxa de vacinação de Malta atraiu a atenção de Israel, que há uma semana chegou a acordos com dois membros da UE, Grécia e Chipre, para permitir que cidadãos vacinados viajem livremente entre seus territórios.

"Também estamos em negociações com o governo israelense sobre isso", revelou Fearne.

No entanto, o o vice-primeiro-ministro expressou cautela com a ideia do que muitos chamam de "passaportes de saúde" para pessoas vacinadas, pelo menos por enquanto.

“O que eu chamaria de 'certificado de prova de vacinação' deve ser habilitador e não restritivo”, alertou, explicando que ainda não havia dados suficientes sobre se uma pessoa vacinada pode transmitir o coronavírus.

"Ainda precisamos aprovar as evidências científicas de que uma vacina não só reduz as consequências da infecção ... também reduz a transmissibilidade", concluiu Fearne.

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