Manas à obra! Empresa faz reparos em casas de mulheres e LGBTs

Serviço é prestado, em sua maioria, por mulheres e LGBTs. Foto: Divulgação

Muitas mulheres e LGBTs têm medo de colocar homens dentro de suas casas para fazer reparos domésticos. O medo do assédio e da violência é grande e, muitas vezes, faz com que esse público não consiga resolver seus problemas.

Depois de 2015, ano em que muitas mulheres tiveram coragem de vir à público denunciar casos de assédio de profissionais de serviços que atendiam em domicílio, a técnica de edificações Priscila Vaiciunas decidiu criar o Manas à Obra.

A empresa, que oferece serviços de pintura, carpintaria, elétricos e até azulejos, é formada por uma equipe bem diversa. O grupo é formado por mulheres e LGBTs, mas também conta com a mão de obra de homens que buscam a desconstrução de padrões de gênero. Porém, os clientes podem solicitar ser atendidos apenas por mulheres.

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Em entrevista ao blog, Priscila diz que sempre fez pequenas manutenções com seu pai e se formou na área em 2003. Segundo ela, o trabalho que faz é importante, entre outros motivos, pelo fato de mostrar que a mulher pode fazer o trabalho que ela quiser.

“Muitas de nós deixam de viver os sonhos acreditando que não cabem dentro deles. Por não ser algo tido como ‘feminino’ ou ‘delicado’. Penso ser muito importante para nós iniciarmos essa quebra de barreiras e estereótipos para que as mulheres, no futuro, sejam muito mais autônomas e felizes”, afirmou.

Além disso, ela diz acreditar que é importante ressignificar padrões que foram estabelecidos. “Acredito na desconstrução de padrões e de papéis na sociedade. Acredito que, independente do gênero, as pessoas têm o direito de escolherem sua profissão, relacionamento, vestimentas, sem que o outro interfira ou julgue como aberração ou qualquer outra coisa”, ponderou Priscila.

Segundo a técnica em edificações, ela conversa com suas clientes e percebe o quanto esse tipo de serviço é importante para o público feminino e LGBT. “Geralmente, eles me agradecem por ter tido a coragem de oferecer os serviços, depois contam histórias diversas e assustadoras sobre assédio e afins”, conclui.